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Carta deixada por empresário morto cita envolvidos na Sevandija, diz MP

Documento foi achado em apartamento de Marcelo Plastino em Ribeirão.
Investigado na PF por fraudes, empresário deu um tiro na própria cabeça.


Do G1 Ribeirão e Franca

Uma carta apreendida no apartamento de Marcelo Plastino cita alguns dos envolvidos na Operação Sevandija, segundo o Ministério Público. Acusado de pagar propina a vereadores e a funcionários do alto escalão da Prefeitura de Ribeirão Preto (SP), o empresário foi encontrado morto com um tiro na cabeça na noite de sexta-feira (25) depois de se trancar em um quarto do imóvel na zona sul da cidade.


Promotoria de Justiça apreendeu documentos no apartamento de Marcelo Plastino, empresário morto em Ribeirão Preto (Foto: Reprodução/EPTV)
Promotoria de Justiça apreendeu documentos no apartamento de Marcelo Plastino, empresário morto em Ribeirão Preto (Foto: Reprodução/EPTV)

O conteúdo do documento, encaminhado com outros papeis ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), é mantido sob sigilo, mas, de acordo com o MP, pode trazer novos indícios para as investigações.

O corpo do empresário foi velado por amigos e familiares na tarde deste sábado (26) no Cemitério Bom Pastor.

"A investigação vai continuar a transcorrer no momento adequado. Por enquanto, por mais que interesse à sociedade e ao Gaeco, Polícia Federal, o momento agora é de respeito ao luto da família, aos entes queridos e aos amigos do falecido", afirmou o promotor do Gaeco, Leonardo Romanelli.

Platino estava em liberdade desde o início de outubro, quando conseguiu um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele havia sido preso em setembro durante a primeira fase da Operação Sevandija, que apura fraudes em contratos de licitações de R$ 203 milhões da prefeitura.

Segundo o Ministério Público e a Polícia Federal, a empresa dele, a Atmosphera, foi usada como cabide de empregos de vereadores da base aliada do governo Dárcy Vera (PSD), que em troca deveriam apoiar os projetos de interesse do Executivo na Câmara. Segundo as investigações, ele marcava cafés com vereadores para articular o esquema.

Carta cita investigados, diz MP

 
O promotor Marcus Túlio Alves Nicolino foi uma das autoridades a entrar no apartamento do empresário assim que foi confirmada a morte dele na noite de sexta-feira.

Ele disse ter tido acesso a documentos que citam nomes de investigados pela Polícia Federal e pelo Gaeco na operação, além de outras pessoas, e que podem trazer novas informações para as investigações.

"Eu não posso revelar o conteúdo deles, mas são documentos que revelam mais provas com relação à operação que o Gaeco já vem desenvolvendo. Vão contribuir muito para essas investigações e também explica aí, tem relação com a morte dele", disse.

Segundo ele, também foram apreendidos no local um pen drive, além de equipamentos eletrônicos que podem conter informações novas para o processo. "Podem revelar novas situações. (...) São fatos novos depois da deflagração da operação e também explicando fatos ocorridos anteriormente."

O Gaeco recebeu o material na tarde deste sábado. "Todo o material arrecadado pode ser de interesse da investigação, mas como nós dissemos tudo isso vai ter seu momento, agora o momento é de respeito", disse Romanelli.

Morte de empresário

 
Marcelo Plastino foi encontrado morto por volta das 21h de sexta-feira dentro da banheira de sua suíte.

De acordo com a Polícia Civil, a namorada dele, Alexandra Ferreira Martins, principal testemunha, afirmou que o empresário havia anunciado reiteradas vezes que tinha a intenção de cometer suicídio, tomava medicamentos para depressão e era acompanhado por um psiquiatra.

A testemunha disse à polícia que o empresário se trancou no quarto depois de mencionar que iria se matar e que ainda chamou o médico e o advogado para tentar convencê-lo a abrir a porta.

O quarto onde estava o empresário era protegido por duas portas reforçadas, que tiveram que ser arrombadas, segundo o delegado Haroldo Chaud. De acordo com ele, Plastino foi encontrado morto com um tiro na cabeça no banheiro da suíte e a arma usada não era dele. A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte, mas segundo o delegado, as principais provas colhidas inicialmente reforçam que Plastino cometeu suicídio.

Os agentes aguardam resultados do exame residuográfico e da perícia sobre a trajetória do tiro e vão ouvir pessoas que encontraram Plastino antes de sua morte. Os nomes não foram revelados.



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