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PF instaura inquérito para apurar cobrança de taxa eleitoral por milicianos

Segundo reportagem do GLOBO, candidatos pagariam até R$ 120 mil a milícia para fazer campanha


Vera Araújo | O Globo


RIO — A Polícia Federal instaurou inquérito policial para apurar a cobrança de taxas eleitorais pelos milicianos das zonas Norte e Oeste, além da Baixada Fluminense, para candidatos fazerem campanha em seus domínios, conforme O GLOBO revelou na última quarta-feira. A polícia atendeu a determinação da Justiça Federal e o pedido da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) no Rio de Janeiro, que apurasse os fatos. A investigação deverá ficar sob a responsabilidade da Delegacia de Defesa Institucional (Delinst) da PF.


Operação da Polícia Federal para apurar denúncia de atuação de milícia no Parque da Pedra Branca, em Jacarepaguá, em 2012 - Márcia Foletto / Agência O Globo

Os repórteres do GLOBO constataram que candidatos pagaram de R$ 15 mil a R$ 120 mil, de acordo com a densidade eleitoral local, para ter o direito de fazer campanha com exclusividade em territórios dominados por esses grupos, denunciando a existência de uma tabela de preços. O TRE já havia recebido as denúncias e discutido o assunto nas reuniões com as autoridades de segurança, mas nada havia sido apurado sobre as cobranças ilegais das milícias.

Na cartilha dos milicianos, quem não paga a “taxa eleitoral” não entra nas áreas dominadas. A tabela, no início da campanha, previa pagamentos de R$ 80 mil a R$ 120 mil, dependendo da densidade eleitoral do bairro. A Zona Oeste do Rio, região que tradicionalmente define eleições, por ser mais populosa, é a mais valorizada.

As áreas mais nobres são Campo Grande e Santa Cruz. Há cobrança ainda nos bairros de Inhoaíba, Santa Margarida, Rio das Pedras, Guaratiba e na localidade do Magarça. Na reta final da campanha, foi estabelecido um “desconto”: a tabela foi reduzida para R$ 60 mil nos últimos dez dias.

As favelas da Zona Norte também não ficaram de fora. Em comunidades como a Kelson’s, na Penha, o “ingresso”, com direito a instalação de placas nas casas dos moradores, é de R$ 15 mil. Nestes locais, é comum ver penduradas propagandas de, no máximo, três candidatos.

Já em cidades da Baixada, os valores ficam entre R$ 50 mil e R$ 80 mil, para a campanha de setembro a 2 de outubro. Há grupos atuando em Nova Iguaçu, Seropédica, Duque de Caxias e Magé, muitos deles depois de expandir seus domínios da Zona Oeste para essas áreas.



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