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MPF apura suposto favorecimento em empréstimo do BNDES a Bumlai

Empresas da família do pecuarista receberam R$ 101,5 milhões, em 2012.

Segundo o inquérito, grupo enfrentava dificuldade financeira à época.


Mariana Oliveira | TV Globo, em Brasília

A Procuradoria da República no Distrito Federal apura supostas irregularidades na concessão de um empréstimo no valor de R$ 101,5 milhões pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a empresas da família do empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e condenado na Lava Jato.


José Carlos Bumlai (Foto: Giuliano Gomes/PR Press)
Pecuarista José Carlos Bumlai, em imagem de arquivo (Foto: Giuliano Gomes/PR Press)

O empréstimo foi feito em 2012, e a suspeita é de que Bumlai tenha sido beneficiado pelo banco. Na época, segundo o MPF, as usinas de álcool do Grupo São Fernando enfrentavam dificuldades financeiras.

Segundo o Ministério Público Federal, a investigação começou no fim de 2015 e ainda está em fase inicial. O G1 entrou em contato com a defesa de Bumlai nos processos criminais ligados à Lava Jato, mas os advogados preferiram não comentar o caso.

Entre 2008 e 2012, a São Fernando obteve três empréstimos do BNDES. Nos dois primeiros, realizados em 2008 e 2009, o Ministério Público não encontrou indícios de irregularidades. Em 2015, o BNDES pediu a falência do grupo.

Os investigadores da Procuradoria da República no DF ainda avaliam se houve irregularidades na concessão desse terceiro empréstimo. Segundo eles, um avanço na apuração foi possível graças ao compartilhamento de informações da força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba.

Conforme a Lava Jato, Bumlai é suspeito de tráfico de influência em favor do Banco Schahin, que recebeu empréstimo de R$ 60 milhões do BNDES. A força-tarefa já havia levantado suspeitas em relação a liberação de verbas para a São Fernando.

Lava Jato


Em setembro, o juiz federal Sérgio Moro condenou o pecuarista José Carlos Bumlai a 9 anos e 10 meses de prisão em um processo da 21ª fase da Lava Jato, por crimes como gestão fraudulenta e corrupção passiva.

Bumlai foi condenado pela participação, obtenção e quitação fraudulenta do empréstimo no Banco Schahin de R$ 12 milhões, em 2004, e pela participação, solicitação e obtenção de vantagem indevida no contrato entre a Petrobras e o Grupo Schahin para a operação do Navio-Sonda Vitória 10.000.

Na mesma sentença, também foram condenados o empresário Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Vaccari Neto, e outros cinco réus do processo.




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