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Voto a R$ 100 em Nova Iguaçu

O mercado está inflacionado em um bairro específico, onde um determinado candidato estaria dobrando a oferta que é normalmente de R$ 50 nas comunidades pobres da Baixada Fluminense 


Elizeu Pires

Com a alegação de que estariam recrutando cabos eleitorais para trabalharem no dia da eleição entregando panfletos para candidatos a vereador nos locais de votação da periferia de Nova Iguaçu, agenciadores estariam agindo a pelo menos 15 dias, mas a intenção mesmo é a compra de votos, até porque a chamada “boca de urna” é proibida por lei e quem insistir em fazê-la pode ser detido em flagrante e processado por crime eleitoral. A denúncia do esquema - que estaria inflacionando o mercado de compra e venda de votos, pois o valor acertado normalmente é R$ 50 em algumas comunidades, mas em determinado bairro um candidato estaria oferecendo R$ 100 por pessoa - aponta para o eixo da Estrada do Iguaçu, via de acesso a pelo menos seis bairros, onde os agenciadores estão anotando nomes, número de título de eleitor, endereço do locais de votação e o número do telefone do agenciado, para que este possa ser convidado para um churrasco para o próximo sábado, véspera da eleição, em local que o recrutado só ficaria sabendo no dia. 


 A prática da chamada boca de urna costuma terminar em prisão. Este ano a fiscalização será ainda mais intensa
A prática da chamada boca de urna costuma terminar em prisão. Este ano a fiscalização será ainda mais intensa

A compra de votos nas regiões mais pobres do estado é uma prática antiga e sempre foi chamada de “boca de urna”. Há candidatos que checam a contratar até cinco mil “bocas”, mas nem sempre o retorno é 100% garantido. O que se ouve neste mercado de exploração da pobreza, que o comprador normalmente perde até 40% do investimento, pois tem eleitor que costuma pegar o dinheiro e não votar, vendendo, mas não entregando o `produto´, sem contar que tem aqueles que se cadastram com vários agenciadores diferentes.

No bairro específico onde a oferta passou de R$ 50 para R$ 100, o principal agenciador seria uma mulher e, que além do churrasco para os “bocas de urna”, estaria prometendo também uma festa para as crianças.



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