Juíza diz que ex-governador Silval Barbosa (PMDB) é de 'alta periculosidade' e poderia fugir do país

Silval Barbosa (PMDB) é suspeito de chefiar organização criminosa.

Bando teria desviado R$ 7 milhões dos cofres do governo de Mato Grosso.


Carolina Holland | G1 MT

A juíza Selma Rosane dos Santos Arruda, da Sétima Vara Criminal, voltou a decretar a prisão preventiva do ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), por considerá-lo de alta periculosidade e avaliar que ele poderia fugir do país. Em nova investigação do Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ele é apontado como o chefe de uma organização criminosa que teria provocado prejuízo de R$ 7 milhões aos cofres públicos ao autorizar a compra de um terreno superfaturado que já havia sido adquirido pelo estado em 2002. O ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf, que também teve a prisão preventiva decretada, é apontado pela magistrada como braço direito de Silval.


Silval Barbosa (PMDB)

Tanto Nadaf quanto Silval Barbosa já estão presos desde setembro de 2015, acusados de fraude na concessão de benefícios fiscais a empresas. Eles respondem a uma ação penal, decorrente da Operação Sodoma, pelos crimes de peculato, organização criminosa e extorsão. O G1 não conseguiu falar com as defesas dos dois.

"Os líderes da organização criminosa são contumazes e de alta periculosidade. O chefe da organização, Silval da Cunha Barbosa e seu braço direito Pedro Nadaf já foram presos (e assim ainda permanecem) durante a operação Sodoma", afirma a juíza na decisão.

A magistrada determinou ainda a prisão do ex-presidente do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), Afonso Dalberto, e do ex-secretário-adjunto de Administração do estado, coronel José de Jesus Nunes Cordeiro, também suspeitos de fazerem parte do esquema. A reportagem não localizou os advogados de Dalberto e de Cordeiro.

Argumentação


Na decisão que determinou a prisão dos quatro ex-gestores, a juíza Selma Rosane afirma que as investigações da Operação Ararath, da Polícia Federal, apontam que alguns dos envolvidos teriam desviado dinheiro para o exterior, o que é um indicativo de que podem tentar fugir do país a qualquer momento caso fiquem soltos.

Para a magistrada, Silval é o chefe de uma “fortíssima” organização criminosa instalada no governo. Ele, Nadaf, Dalberto e Cordeiro usaram dos cargos e prestígio político para desviarem dinheiro público, acusa o Ministério Público do Estado (MPE). "Estas prerrogativas serviram de ferramenta e de blindagem para a execução dos crimes perpetrados pelo grupo, em especial os contra a Administração Pública", diz trecho da decisão.

A prisão preventiva, afirma a juíza, foi decretada para preservar a ordem pública e a garantia da instrução criminal e aplicação da lei penal, já que os suspeitos têm "projeção social elevada" e "fortíssimo poder político".

Para a magistrada, a quadrilha não mede esforços para "se manter intacta e imune à persecução penal". Provas disso seriam a pressão que Silval teria exercido sobre membros da CPI dos Incentivos Fiscais instalada na Assembleia Legislativa e também o uso de sua força politica dentro do PMDB para conseguir habeas corpus para a mulher, Roseli Barbosa, presa no ano passado por suspeita de desvio de dinheiro da Secretaria de Assistência Social, pasta que comandou durante a gestão do marido, avaliou Selma.



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