'Campo Grande está quebrada', diz Bernal ao entrar na prefeitura

Ele falou sobre problemas nas finanças da capital sul-mato-grossense.
Prefeito já anunciou dois nomes para o secretariado.


Graziela Rezende | G1 MS

Ao entrar na prefeitura de Campo Grande nesta quinta-feira (27), o prefeito reconduzido Alcides Bernal (PP) falou sobre as finanças da capital sul-mato-grossense. "Campo Grande está quebrada", afirmou o pepista que retomou a administração municipal depois de um ano e cinco meses.



Segundo o pepista, ao sair do Executivo, em março de 2014, deixou R$ 654 milhões em caixa e, agora, pega sem dinheiro nos cofres. "Onde está esse dinheiro?", questionou Bernal, informando que a situação pode virar caso de polícia.

Por causa da crise financeirda da prefeitura, o ex-prefeito afastado, Gilmar Olarte (PP), criou uma escala para pagamentos conforme a faixa salarial. Bernal disse que a intenção é pagar todos os servidores do município em dia. "É um direito deles", pontuou.

No entanto, o prefeito ressaltou que a situação financeira é crítica. "O caos está instalado, mas todo problema carrega uma solução", ressaltou Bernal.

Alcides Bernal voltou a dizer que irá demitir todos os comissionados, que será feita uma auditoria na prefeitura e que a intenção é "fazer com que os serviços públicos funcionem de verdade".

Agradecimentos

Durante o ato simbólico da entrega da chave da prefeitura a Bernal, o prefeito reconduzido agradeceu à Polícia Federal, ao Ministério Público do Estado (MP-MS), ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) pela investigação sobre a possível compra de votos que resultou na cassação dele em março de 2014.

Ao agradecer a família, o pepista se emocionou e até chorou durante discurso. "Quero agradecer ao pai que está nos braços de Deus, aos tios presentes e a minha esposa que com toda simplicidade a harmonia esteve sempre ao meu lado. Minha mãe está acamada, mas com certeza se estivesse bem, estaria pessoalmente no ato", afirmou.

Além dos vereadores, estiveram presentes os deputados estaduais Onevande Matos (PSDB) e Amarildo Cruz, João Grandão e Cabo Almi, todos do PT, e Felipe Orro (PDT). Apesar da chuva que caía no momento da chegada de Bernal, muitas pessoas acompanharam o ato.

“Vamos escrever uma nova página é hora de paz, união, nós não vamos titubear para defender o interessse ppublico. Já fui vereador, deputado estadual e hoje sou prefeito. Campo Grande precisa de um pouco de paz e justiça", enfatizou.

Retorno

Alcides Bernal reassume a prefeitura 1 ano e 5 meses após ter o mandato cassado pela Câmara Municipal. Ele havia sido eleito pelo voto popular e saiu depois de suspeitas de irregularidades na gestão.

De lá para cá, ele já havia conseguido uma decisão autorizando a volta à prefeitura. No entanto, a liminar foi cassada e somente nessa quarta-feira (25), julgada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS).

Por dois votos a um, a liminar foi favorável a Bernal e nesta quinta-feira ele assumiu oficialmente a prefeitura. A Câmara deve recorrer novamente.

Ao chegar no Paço Municipal, ele confirmou dois nomes para o primeiro escalão: Ivandro Fonseca para a Secretária de Saúde e Luiz Carlos Santini para a Procuradoria-Geral. Ambos já faziam parte da equipe dele.

Afastamento

Com a cassação de Alcides Bernal, o vice dele à época, Gilmar Olarte (PP), assumiu a prefeitura. No entanto, nessa quarta-feira (25), ele foi afastado do cargo por decisão do TJ-MS, que também afastou o vereador Mario Cesar (PMDB) da Câmara Municipal.

O afastamento dos dois políticos é desdobramento da operação Coffee Break, realizada pelo Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) devido à suspeita de compra de votos para cassação de Bernal.

Mario Cesar e outros sete vereadores foram levados ao Gaeco para esclarecimentos sobre a suspeita. Eles e mais nove pessoas tiveram os celulares apreendidos.

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