Ex-deputado Wolmar Campostrini, do ES, é condenado por fraude em auxílio-doença

Investigação aponta que Campostrini dava o benefício em troca de votos.
Ele foi procurado mas não atendeu as ligações e não retornou os contatos.


Juirana Nobres
Do G1 ES

A Justiça condenou o ex-deputado estadual Wolmar Campostrini Filho a 17 anos e oito meses de prisão em regime fechado e multa por ser o cabeça de um esquema de fraudes em concessões de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) entre 2003 e 2008. O valor deverá ser atualizado. Campostrini pode recorrer da decisão. Ele foi procurado mas não atendeu as ligações e não retornou os contatos até esta quinta-feira (22).

Ex-deputado, Wolmar Campostrini, do Espírito Santo é condenado por fraude em auxílio-doença (Foto: Reinaldo Carvalho/ Jornal A Gazeta)Ex-deputado é condenado por fraude em auxílio doença (Foto: Reinaldo Carvalho/ Jornal A Gazeta)

De acordo com o Tribunal de Justiça, a decisão determina ainda que ele indenize a autarquia em, no mínimo, R$ 167 mil por desvios de recursos públicos. A sentença, assinada pelo juiz Marcus Vinícius Figueiredo de Oliveira Costa, da 1ª Vara Federal Criminal, estabelece também que Campostrini perca o cargo de perito médico previdenciário no INSS.

O ex-deputado, no entanto, já foi punido, em 2011, pela Corregedoria da Previdência Social com demissão, após a finalização de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) aberto contra ele na época, em paralelo ao processo judicial.

Denúncia

Eleito deputado estadual em 2006, Campostrini foi um dos 11 denunciados pelo Ministério Público Federal no Espírito Santo na Operação Auxílio-Sufrágio. A investigação policial, deflagrada em 2008, apurou indícios de fraude na obtenção de auxílio-doença nas agências da Previdência de Cariacica e Vila Velha.

As fraudes, coordenadas pelo ex-deputado, envolviam médicos, servidores do INSS, assessores parlamentares e empregados da clínica médica particular de Campostrini, em Cariacica.

As investigações mostraram que o grupo facilitava a concessão indevida do benefício de auxílio a determinadas pessoas, em troca da captação de votos para Campostrini.

O juiz levou em conta na decisão o fato de Campostrini, além de médico, ter sido vereador e deputado estadual, não configurando como servidor público com baixo grau de instrução ou remuneração ruim. 'Não se restringiu apenas à obtenção de valores ilícitos para si ou para terceiros, mas tinha nítido propósito de angariar votos em uma rede criminosa de relacionamentos', diz trecho da sentença.

Segundo a Polícia Federal, a quadrilha girava em torno do ex-deputado Wolmar Campostrini. Por meio de assessores, parentes, empregados, despachantes e servidores, ele orientava e possibilitava a concessão de benefícios previdenciários fraudulentos.

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