Prefeito de Itaguaí teria levado malas de dinheiro para compras de Natal

Testemunha disse ter morado 15 meses na casa de Luciano Motta (PSDB).
Vídeo mostra secretário falando sobre repasse de verba para prefeito.


Do G1 Rio

Uma testemunha que é considerada chave no inquérito que apura desvios de dinheiro na Prefeitura de Itaguaí, Baixada Fluminense, disse que acompanhou o prefeito da cidade, Luciano Motta (PSDB), com malas e malas de dinheiro para que o prefeito fizesse compras de Natal. Como mostrou o Bom Dia Rio desta quarta-feira (24), Motta é o principal investigado pela Polícia Federal, suspeito de chefiar uma quadrilha que desviava verbas dos royalties do petróleo e do Sistema Único de Saúde (SUS). Além dele, três secretários de estado seriam beneficiados por um esquema de corrupção que consumia pelo menos 30% do orçamento da cidade, algo em torno dos R$ 10 milhões por mês.

Luciano Mota (PSDB)
Apesar do medo, porque diz que pode ser morto a qualquer momento, a testemunha concordou em gravar a entrevista. Ele afirma que carregou malas cheias de dinheiro para pagar roupas, eletrodomésticos e automóveis. "Pegamos lá duas malas, duas bolsas grande de dinheiro, fomos pro shopping e ele falou: 'agora vou comprar meu presente de natal'", contou.

Televisão de R$ 99 mil 

O homem se refere à televisão de 85 polegadas, comprada, segundo os agentes federais, por R$ 99 mil em dinheiro vivo. O prefeito Luciano Motta, que ganha R$ 25 mil por mês, era visto dirigindo uma Ferrari, avaliada em R$ 1,2 milhão. O carro estaria no nome de um ex-frentista, apontado como laranja pela investigação.

"Compras exorbitantes que eu avisei a ele, não foi uma, nem duas, nem três, nem quatro vezes. Quando ele começou a desfilar com ferrari, eu falei: 'rapaz, isso vai dar problema para você, vai estar todo mundo te vendo, você é uma figura pública', mas ele não acreditou".

Além disso, em várias ocasiões, o homem ajudou o prefeito a levar dinheiro vivo para pagar a compra de roupas. Algumas destas compras passaram dos R$ 50 mil, ainda segundo a entrevista.

"Eu convivi com ele durante quinze meses. E nesses quinze meses eu praticamente morei na casa dele, eu fui em casa uma vez, duas vezes por semana, só para pegar roupa. Morei na casa dele. Então eu tive todo aquele convívio, e tinha essas gastações de roupa, entendeu?"

Esquema de corrupção

O prefeito Luciano Motta não foi ouvido oficialmente sobre as denúncias. Segundo a polícia, o depoimento dele ainda não tem data marcada. No inquérito, a PF anexou vários vídeos, feitos pela testemunha ouvida na reportagem. Um deles mostra o secretário de Turismo de Itaguaí, Ricardo Soares, conversando sobre o esquema de corrupção no município.

"Luciano: Você vê que o Amaro agora quer dez por cento de tudo.

Ricardo: eu vou pegar meu caderno para escrever. Atrás dele, tem que dar 10% por cento de tudo. Ué, vai fazer o quê? Quer dez por cento, eu acho lógico beleza. É a função do Amaro é recolher dinheiro".

A conversa se refere a Amaro Glagliardi, secretário de Assuntos Extraordinários e assessor do prefeito Luciano Motta.

Bens não declarados

Em 2012, no registro da candidatura enviada ao TRE, Luciano Motta declara não ter nenhum bem. Mas, os agentes da Polícia Federal dizem que ele é dono de uma casa de praia de luxo em Mangaratiba, no Sul Fluminense, e de um Porshe. Na semana passada, uma operação da Polícia Federal apreendeu computadores e documentos na prefeitura de Itaguaí.

"Nós estamos analisando toda a documentação. A partir desta análise, nós podemos avaliar novas frentes e poder ouvir mais pessoas e concluir a investigação," disse Hylton Coelho, delegado da Polícia Federal de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense.

A produção da reportagem tentou ouvir o prefeito Luciano Motta e o secretário de Turismo do município, mas a assessoria da Prefeitura de Itaguaí disse que eles não vão se pronunciar sobre as denúncias.

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