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Empreiteiras combinavam preços de contratos com Petrobras, diz juiz

Texto de despacho do juiz Sérgio Moro diz que empreiteiras davam propina.
Empresas negam. Sétima fase da Operação Lava Jato já levou 21 à prisão.


Do G1, com informações da Globo News

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo da Lava Jato na primeira instância da Justiça, diz no despacho que autorizou as prisões efetuadas nesta sexta-feira (14) que o esquema de corrupção na Petrobras pode ter provocado danos bilionários à estatal e aos cofres públicos.

De acordo com relato do juiz, o esquema reunia um cartel formado pelas maiores empreiteiras brasileiras, que combinavam quem ganharia as licitações para obras da Petrobras. Nessas concorrências, diz ele, as empresas cobravam preço máximo e depois distribuíam propina em valores correspondentes a 2% ou 3% do contrato – tudo isso era combinado previamente.

Até a tarde deste sábado (15), a sétima fase da operação tinha resultado em 21 prisões, segundo a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Deflagrada pela Polícia Federal em março, a Lava Jato investiga um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 10 bilhões e desviou recursos da estatal, segundo a PF.

Em notas divulgadas nesta sexta-feira, após as prisões de vários executivos das próprias empresas, algumas das principais empreiteiras do país negaram participação em irregularidades e se colocaram à disposição das autoridades.

De acordo com o documento do juiz, parte da suposta propina era repassada ao doleiro Alberto Yousseff, suposto chefe do esquema, que transferia o dinheiro a agentes públicos (pessoas que trabalhavam na Petrobras ou políticos).

“Tomando-se os valores milionários ou bilionários destes contratos [entre a Petrobras e empreiteiras suspeitas de envolvimento no esquema], os danos sofridos pela empresa estatal, cujo acionista majoritário é a União Federal e, em última análise, o povo brasileiro, atingem milhões ou até mesmo bilhões de reais”, diz Moro no texto.

No despacho, o juiz afirma que o esquema investigado na Lava Jato identificou “quatro grupos criminosos dedicados principalmente à pratica de lavagem de dinheiro e crimes financeiros no âmbito do mercado negro de câmbio”.

Esses grupos, informa Moro, seriam liderados pelos supostos doleiros Carlos Habib Chater, Alberto Youssef, Nelma Mitsue Penasso Kodama e Raul Henrique Srour.

No decorrer das investigações, relata o magistrado, descobriram-se as relações do doleiro Alberto Youssef com o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, ambos presos em fases anteriores da Lava Jato. Segundo Moro, Costa continuou recebendo propina mesmo após ter deixado o cargo.

VALE ESTE - Arte Lava Jato 7ª fase (Foto: Infográfico elaborado em 15 de novembro de 2014)

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