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Empresário acusa deputado Romário de calote em Cabo Frio

Empresário relatou ao MPF que candidato não pagou cabos eleitorais.
Assessoria de Romário disse que ele só vai se pronunciar à Justiça.


Heitor Moreira
Do G1 Região dos Lagos

Um empresário de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, entrou com representação no Ministério Público Federal contra o ex-jogador e deputado federal Romário, candidato ao Senado pelo PSB. Apesar dos 23 anos de amizade com Romário, Antônio Alexandro Vidal Rosa, conhecido como Alexu, decidiu entrar com ação contra o amigo por calote. Segundo ele, Romário não mandou o dinheiro para pagar os cabos eleitorais contratados para trabalhar na campanha do candidato na Região dos Lagos. A denúncia foi apresentada nesta segunda-feira (29).

Foto tirada há 20 anos mostra Alexandre com Romário  (Foto: Alexandre / Arquivo pessoal e Reprodução WhatsApp )Empresário divulga foto tirada há 20 anos com Romário e ao lado as mensagens de texto trocadas após a suspensão do acordo (Foto: Alexandro Vidal / Arquivo pessoal e Reprodução WhatsApp )

Procurada pela equipe do G1, por telefone, a assessoria de imprensa do candidato Romário disse que ele só vai se pronunciar à Justiça.

O empresário conta que, a pedido do próprio Romário, contratou cerca de 30 pessoas e alugou quatro carros para dois meses de trabalho. O investimento seria de R$ 100 mil reais, mas apenas R$ 25 mil, ainda segundo o empresário, teriam sido pagos pelo candidato. Alexu afirma que se surpreendeu quando Romário decidiu suspender o trato, feito verbalmente "na base da confiança", no último dia 11 de setembro.

"Eu paguei a equipe com cheques próprios confiando na palavra de um amigo de mais de 20 anos, que veio a Cabo Frio pedindo a minha ajuda. Ele concordou com o orçamento que enviei. Mas depois cancelou pagando apenas parte do acordo. Disse para eu sustar os cheques que tinha dado para pagar as pessoas, dizendo que no Brasil todo mundo fazia isso, menos eu", lamentou o empresário.

Marcelo Ferreira Correia, de 44 anos, chegou a receber um cheque de R$ 5 mil para trabalhar com o próprio veículo por 36 dias, mas o cheque foi sustado.

"Deixei de arrumar dinheiro com outras pessoas, pois tenho simpatia por Romário, acredito nele como político. Não estive pessoalmente com o Romário, somente o Alexu. A partir de amanhã, se eu não tiver uma posição, vou ter que acionar a Justiça. Sou trabalhador, o cheque foi suspenso e não posso ficar sem receber. Eu ainda acredito que Romário possa voltar atrás, que a coisa aconteceu num momento de 'cabeça quente' dele (Romário)", desabafou.

Para tentar comprovar a denúncia, Alexandre anexou ao processo a troca de mensagens com Romário via WhatsApp e fotos dos cabos eleitorais em campanha. O Ministério Público informou que o caso será analisado pela promotoria.

"Não tinha como ignorar esse assunto, pois as pessoas estão desconfiando de mim. Meus cheques estão voltando e as pessoas indo na minha casa me cobrar. Prefiro perder um amigo e andar de cabeça erguida na minha cidade", disse o empresário.

Pedro Mussuneci, de 22 anos, responsável pela equipe de panfletagem na região, disse que chegou a atuar em várias cidades. Só recebeu o primeiro mês, mas depois trabalhou por outros 15 dias sem receber.

"O Alexu entrou em contato com a gente no dia 11 de setembro pedindo para cancelar. Na hora não entendemos nada, porque acreditávamos e queríamos ajudar na campanha aqui na região. Tem muita gente da minha equipe decepcionada e precisando do dinheiro que não foi pago", disse o morador de Cabo Frio, que está desempregado.

O G1 também ligou para o número de celular usado na conversa com o empresário via WhatsApp, mas as ligações não foram atendidas.

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