Polícia investiga elo entre 'delivery' de cocaína e conselheiro do TCE-PR

Lanchonete entregava drogas em casa, de acordo com as investigações.
Fábio Camargo é ex-deputado e conselheiro afastado do tribunal.


Do G1 PR, com informações da RPC TV Curitiba

A Polícia Civil vai investigar por qual razão documentos em nome do conselheiro do Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR) Fábio Camargo estavam na lanchonete que vendia drogas por telefone, em Curitiba. Na operação realizada na quarta-feira (24), no Waldo X Picanha Prime, na Alameda Cabral, os policiais apreenderam vários documentos, entre eles, uma conta de telefone com o mesmo endereço da lanchonete em nome do ex-deputado.

O ex-deputado estadual Fábio Camargo é afastado pela segunda vez  do cargo do conselheiro do TCE-PR (Foto: Divulgação/ TCE-PR)Documentos no nome de Fábio Camargo foram encontrados no Waldo X Picanha Prime (Foto: Divulgação/ TCE-PR)

Outros papéis ligados ao escritório de advocacia que Camargo mantinha também foram apreendidos pela Polícia Civil. Camargo fechou o escritório ao assumir o cargo de conselheiro no TCE-PR. Atualmente, ele está afastado do cargo devido a a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com a polícia, a lanchonete funcionava como ponto de vendas de drogas. A encomenda poderia ser feita por telefone. Além de sanduíches, motoqueiros também entregavam, em casa, cocaína. A “Operação Salgueiro”, da Polícia Civil do Paraná, aponta que o Waldo X Picanha Prime e outras três lanchonetes de Curitiba ofertavam o serviço de “delivery” de drogas.

O homem que se diz dono do Waldo X Picanha Prime está preso por envolvimento com tráfico de drogas. Ele trabalhou com o, então, deputado Fábio Camargo na quarta secretaria da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Como a empresa não está no nome do homem que se diz dono, a polícia quer saber quem são os verdadeiros donos da lanchonete.

“Nossas investigações vão dizer exatamente porque está no nome de uma terceira pessoa". afirmou a delegada responsável pelo caso, Camila Cecconelo. Ela informou que, durante a investigação, foi constatado que o proprietário efetivo do local não era o homem que se diz o dono.

“Pode ser uma pessoa, sim, que estava só no nome dela a casa, mas não tinha participação efetiva ali nos negócios”, disse a delegada ao ser questionada sobre a possibilidade de ser um “laranja”.

O ex-deputado não quis gravar entrevista, mas conversou com a RPC TV. Ele disse que os documentos encontrados pela polícia são do escritório de advocacia dele e que o dono do bar era um cliente do escritório. Sobre a conta de telefone, Fábio Camargo disse que há dois anos pretendia montar um negócio no local e que, por isso, instalou o telefone. Segundo ele, o negócio não foi adiante e, desde então, pediu por telefone e por e-mail que a operadora mudasse a titularidade da linha.

Ainda conforme a delegada, por enquanto, não há nada que comprove qualquer ligação entre o ex-deputado e os negócios do Waldo X Picanha Prime. Porém, a polícia quer saber por que os documentos em nome de Fábio Camargo foram encontrados na lanchonete.

“Ao adentrar no estabelecimento, nós vimos essas contas de telefone no nome do Fábio Camargo e fizemos a apreensão desses documentos. Agora, durante esses 30 dias que temos de prazo do inquérito, provavelmente outras pessoas vão ser ouvidas para que seja esclarecido, para nós também, se há algum envolvimento dele com o estabelecimento Waldo X Picanha Prime e para ficar esclarecido qual a participação dele ali, se há alguma participação na sociedade”, afirmou a delegada Camila Cecconelo.


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