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Auditoria na Santa Casa de SP aponta dívida de mais de R$ 433 milhões

Patrimônio líquido da instituição caiu 98,5% em quatro anos.
Relatório foi motivado por crise após fechamento, por um dia, de PS.


Paula Paiva Paulo
Do G1 São Paulo

Relatório sobre a situação financeira da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo aponta que a instituição tem dívida de R$ 433,5 milhões. O resultado do documento, divulgado nesta segunda-feira (29), aponta ainda que seu patrimônio líquido - que não inclui os imóveis - caiu 98,5% em quatro anos, e passou de R$ 220,3 milhões em 2009 para R$ 323 mil em 2013.

A auditoria foi realizada após o fechamento do pronto-socorro da Santa Casa, em 22 de julho, por dívida com os fornecedores. Ela foi realizada por uma comissão técnica instituída pela Secretaria de Estado da Saúde, com representantes do Ministério da Saúde, da Secretaria Municipal de Saúde e do Conselho Estadual de saúde.

Em dezembro de 2009, a dívida da instituição era de R$ 146,1 milhões. Quatro anos depois, ela saltou para R$ 433,5 milhões. No mesmo período, o prejuízo da instituição saltou de R$ 12,8 milhões para R$ 167,9 milhões.

O secretário de estado da Saúde, David Uip, informou que duas medidas serão tomadas. A partir desta terça-feira, uma comissão formada por até quatro integrantes irá acompanhar a gestão da Santa Casa diariamente. O estado também assumirá os custos da instituição. "Estamos assumindo o repasse do que for necessário para custeio e RH, garantindo à população que nada faltará", disse. O secretário apontou que "custeio" se refere a insumos e medicamentos, não a equipamentos.

Ao ser questionado sobre os valores desses novos repasses, Uip afirmou que irá se reunir nesta terça com a Santa Casa, que irá apresentar uma proposta de gastos. Atualmente, o repasse mensal do Estado é de R$ 14 milhões, somados ao R$ 20 milhões do Ministério da Saúde.

Crise

A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo deixou de atender casos de emergências e urgências em seu Hospital Central, na Santa Cecília, Centro de São Paulo, no dia 22 por falta de condições financeiras.

Após a crise que levou à suspensão no atendimento do Pronto-Socorro, o governo liberou R$ 3 milhões às pressas que, segundo cálculos do governo estadual, seriam suficientes para a aquisição de medicamentos e materiais necessários para a instituição se manter funcionando por um mês.

Em dia 15 de setembro, o superintendente e o tesoureiro solicitaram desligamento de suas funções após a divulgação, pelo jornal "Folha de S.Paulo", de que dirigentes da instituição receberam, a título de consultoria, ao menos R$ 100 mil do grupo empresarial que fornece suprimentos ao hospital.

Uma semana depois, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo divulgou os nomes dos novos diretores da instituição. O diretor médico do Hospital Central, Irineu Francisco Delfino Silva Massaia, é o novo superintendente. Ele foi indicado por Kalil Rocha Abdalla, provedor da Santa Casa. Antônio Augusto Brant de Carvalho assume como tesoureiro da instituição.

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