Suíça bloqueia US$ 23 milhões atribuídos a ex-diretor da Petrobras

Paulo Roberto Costa é suspeito de desvios em contratos da Petrobras.
À CPI no Senado, ele negou irregularidades na Refinaria Abreu e Lima.


Camila Bomfim
Da TV Globo, em Brasília

O Ministério Público da Suíça conseguiu o bloqueio de US$ 23 milhões depositados em contas atribuídas ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. A decisão foi tomada pelas autoridades suíças com base nas acusações de participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro no Brasil decorrentes das investigações da Operação Lava Jato.

Também pesou o fato de o ex-diretor ter ficado preso por quase dois meses. Detido em março, Paulo Roberto foi solto em maio deste ano e é considerado, segundo a Polícia Federal, um dos chefes da quadrilha responsável por movimentar mais de R$ 10 bilhões em operações de lavagem de dinheiro.

Conforme as investigações, o ex-diretor da Petrobras ajudou empresas de fachada mantidas pelo doleiro Alberto Youssef a fechar contratos com a Petrobras, incluindo obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Nessa operação, a PF estima que foram desviados R$ 400 milhões da obra, considerada superfaturada pelo Tribunal de Contas da União.

A informação foi confirmada por fontes ligadas à investigação. Procurada, a defesa de Paulo Roberto ainda não se pronunciou sobre o bloqueio. A Justiça Federal do Paraná, responsável pelo inquérito da Lava Jato, afirmou que não vai se pronunciar sobre o pedido do Ministério Público da Suíça.

Ex-diretor negou irregularidades

Nesta terça (10), em depoimento à CPI da Petrobras no Senado, o ex-diretor negou desvios em contratos da refinaria, disse que não houve superfaturamento nas obras e que apenas prestou serviços para Youssef como consultor em 2012, quando já estava fora da estatal.

"Pode se fazer auditoria por 50 anos que não vai se achar nada ilegal na Petrobras, porque não há nada ilegal na Petrobras. Essa suposição de superfaturamento de Abreu e Lima não é real, é ilação que foi feita. Não existe organização criminosa, não sei o porquê de inventarem isso, mas é uma história inventada, fora da realidade. [...] Não existe lavagem de dinheiro da Petrobras para Alberto Youssef", disse Paulo Roberto.

A construção de Abreu e Lima é alvo de apuração do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União (TCU), que aponta que a obra tinha valor inicial previsto de US$ 2,5 bilhões, mas teve o custo ampliado para US$ 18 bilhões. Para Paulo Roberto, a Petrobras falhou em divulgar um valor inicial sem previsão exata dos custos.

Nesta terça, o Supremo Tribunal Federal decidiu devolver para a Justiça Federal do Paraná as oito ações penais derivadas da Operação Lava Jato que estavam na Corte e que não têm relação com o deputado federal André Vargas (sem partido-PR), flagrado em conversas com o doleiro Alberto Youssef durante as investigações.

Com a decisão, as investigações que estavam paralisadas no Paraná à espera de decisão do Supremo terão prosseguimento. O STF também validou todos os atos praticados pelo juiz responsável pelo caso, que deverá analisar se mantém ou não as prisões de 12 suspeitos.

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