Após 6 dias sem água, famílias tentam conviver com escassez em Manaus

Poços de igrejas e escolas fornecem água para a população.
Bomba foi reativada para compensar falha.


Do G1 AM

Moradores da Zona Leste de Manaus continuam procurando alternativas para lidar com a falta de água no bairro. A interrupção no abastecimento ocorre desde o dia 24, quando um rebocador colidiu contra uma das pilastras da ponte que sustenta uma adutora do Programa Água para Manaus (Proama), interrompendo o fornecimento para 500 mil pessoas. A situação fez o Governo do Amazonas decretar estado de emergência. Não há previsão para o sistema ser restabelecido.

Famílias residentes no bairro Santa Inês têm procurado outros meios para conseguir água. Escolas municipais e igrejas que contam com poços têm fornecido água para a população, que usa baldes e garrafas para levar água para casa em carrinhos improvisados. "As crianças não estão podendo ir para a escola porque não tem como tomar banho e não dá para lavar as fardas", lembra uma das moradoras.

A dona de casa Marlene Ramos, da Rua O do Santa Inês, relata que os problemas com água no bairro vêm de antes do acidente com a balsa. Segundo ela, mesmo sem o fornecimento de água, a conta do mês chegou no último sábado (27). O valor é de R$ 133,42. "Eu vou ter que ir atrás de resolver isso agora. Perder tempo para provar que não tive água em casa", reclama.

Dona de casa exibe conta com valor que seria injusto, segundo ela (Foto: Romulo de Sousa/G1 AM)Dona de casa exibe conta com valor que seria injusto, segundo ela (Foto: Romulo de Sousa/G1 AM)

O vendedor José Mendes de 44 anos conta que a família está usando água comprada de caminhões pipa. "Cada pessoa paga R$15 para um camburão de água, que dura três dias. Na torneira não tem", conta.

Um poço que há muito tempo estava desativado por problemas técnicos foi reativado no último domingo (29). "Os técnicos vieram e concertaram a bomba do poço. Ele estava parada e depois que começou a faltar água, fomos atrás de concertá-lo", explica a representante da comunidade, Marilene Vieira. Ela também contesta o fornecimento de água anunciado pela Manaus Ambiental por meio de carros pipa. "Ontem enviaram um caminhão de 20 mil litros, mas não foi suficiente para todo mundo. Acabou rápido".

A Manaus Ambiental divulgou em nota que um plano emergencial já foi tomado para reestabelecer o abastecimento de água nas Zonas Norte e Leste, com a utilização de 29 poços. Destes, 12 já foram interligados. A empresa realiza ainda rodízio de abastecimento "totalizando uma média de 150 mil pessoas beneficiadas, localizadas em parte dos Macros Setores Hidráulicos: Jorge Teixeira e Nova Floresta".

O Governo do Amazonas informou, nesta segunda-feira (30), que das 500 mil pessoas afetadas com a falta de água após o acidente, 300 mil moradores dos bairros São José, Mutirão e Cidade de Deus já tiveram o sistema restabelecido. Outras 150 mil pessoas estão sendo atendidas com a religação de poços artesianos que atendiam essas áreas antes do Proama. Para as outras 50 mil que estão com abastecimento totalmente interrompido, foram disponibilizados 25 carros-pipa para garantir o abastecimento, segundo o Governo do estado.



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