Ministro Joaquim Barbosa manda que José Genoino (PT) volte para a cela no presídio da Papuda

Genoino foi submetido a exames clínicos por uma junta médica, em Brasília


Correio do Brasil

De nada adiantou o apelo público da filha Miruna. José Genoino, ex-guerrilheiro, deputado federal por quatro mandatos, ex-presidente do PT, cardíaco e em convalescença, terá que voltar à cela de onde saiu, no Presídio da Papuda, no qual o próprio Estado reconhece não ter condições para prover um tratamento digno de saúde para os internos do sistema penitenciário. Após quase seis meses depois de autorizar que Genoino cumprisse pena temporariamente em casa, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, determinou nesta quarta-feira que ele volte para a cadeia.

Genoino foi submetido a uma cirurgia cardíaca em julho do ano passado para a correção de um rompimento da artéria aorta, da qual ainda se recupera. Na véspera, Miruna Genoino divulgou uma carta aberta, após lado divulgado pela junta médica do Hospital Universitário de Brasília (HUB), que aponta que o estado de saúde do ex-deputado não é grave. O documento foi encaminhado ao ministro Joaquim Barbosa, e servirá como base para que ele decida se Genoino será mantido em prisão domiciliar ou volte para a Penitenciária da Papuda.

“Estão veiculando mentiras de que saiu um laudo que afirma que meu pai pode voltar ao presídio. É mentira! Ele precisa de cuidados médicos!”, escreveu Miruna Genoino. No texto publicado no site “Somos da família Genoino”, ela esclarece que seu pai está, sim, estável, mas somente “porque está cumprindo sua injusta pena em um domicílio, sob os cuidados de sua família, o que é fundamental”.

Em um formato de perguntas e respostas, ela explica que o problema que seu pai teve na aorta não foi simples, mas “muito grave”. No manifesto, Miruna afirma que “um dos fatores de risco predominantes, tanto na gênese inicial como na recidiva da dissecção de aorta é a hipertensão arterial. Todos sabemos, até os leigos, que situações de ansiedade e estresse podem levar a crises hipertensivas. Onde o periciado tem mais chances de ser submetido a situações estressantes: Em seu domicílio, rodeado de seus entes queridos, que velam por ele, com alimentação adequada e sossego ou em um ambiente prisional brasileiro?”

– É verdade que ele teve ‘apenas’ um problema na aorta e que o mesmo já foi corrigido com a cirurgia e, por isso, ele não precisa mais se preocupar com isso?

– Não. Não foi “apenas” um problema na aorta, foi um problema muito, muito grave, que poucos sobrevivem para contar. Lembremos que

“Em respeito ao Deputado, não vamos ficar expondo estatísticas do mau prognóstico da doença. Basta replicar aqui a parte conclusiva de um trabalho da equipe de cirurgiões torácicos do Hospital Universitário da Universidade de Coimbra-Portugal. Eles atenderam 78 casos de dissecção em dez anos e concluem assim (Atenção! Na primeira frase temos sintaxe Camoniana!):

“A cirurgia é raramente, se é que alguma vez, curativa; por isso, o controlo a longo prazo (provavelmente para toda a vida) é essencial e inclui o controlo apertado da hipertensão arterial e a vigilância dos segmentos aórticos não excisados e, em especial, do falso lúmen patente distal, numa tentativa de evitar a rotura e minimizar as consequências da formação de falsos aneurismas”.

“Como factores de risco predominantes observaram-se a hipertensão arterial, a doença do tecido conjuntivo, o tabagismo e a insuficiência renal crónica”

Dissecção Aguda da Aorta – David Prieto, Manuel J. Antunes.

– Se a cirurgia foi bem sucedida, então não há nada mais a cuidar?

– Não!!!! Meu pai teve um episódio de isquemia cerebral que o levou a começar um tratamento com anticoagulantes que ainda não conseguiram se ajustar corretamente! Atualmente seu índice de coagulação ainda não está entre o nível 2 e 3 que é o que ele precisa ter, vide relatório de seu médico Dr. Geniberto Campos:

“A medicação anticoagulante oral (warfarina), mesmo com ajustes frequentes, ainda não conseguiu atingir níveis terapêuticos satisfatórios, com RNI abaixo de 2 (valor terapêutico ideal entre 2 e 3).” Brasília, 8 de abril de 2014 – Dr. Geniberto Paiva Campos

Quando meu pai foi preso na Papuda, eles o devolveram com o índice acima de 5, um índice que indica um risco enorme de hemorragia!!!

Por favor, amigos, me ajudem, Divulguem a verdade, gritem se for preciso. Não deixem que a Folha, a Globo e a grande mídia continuem propagando mentiras que estão colocando em risco a vida de meu pai! Estes grandes meios estão manipulando informações sobre a saúde de um ser humano!

E que todos saibam algo, não me importa nada, nem ano de eleição, nem partido, nem moderação, se mandarem meu pai para a Papuda eu juro que vou lutar até o fim para responsabilizar quem quer que seja pela vida de José Genoino, sejam esses que diretamente estão decidindo por isso como se fosse um mero jogo de cartas, sejam aqueles que viram a cara e preferem fingir que não têm nada com o assunto, sejam uns e outros que deixam de honrar sua promessa feita quando se formaram médicos, de sempre colocarem o cuidado com a vida humana acima de qualquer coisa.

– Nos ajudem, por favor. É pela vida de José Genoino que estamos aqui, pedindo o seu apoio – conclui Miruna.



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