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Estado exonera executivo que enfrentava consórcio das obras dos bondes de Santa Teresa

Moradores do pitoresco bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, protestaram contra a exoneração do presidente da Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (Central)


Correio do Brasil
Por Redação - do Rio de Janeiro

Moradores do pitoresco bairro de Santa Teresa, no Rio, protestaram em nota, neste sábado, contra a exoneração do presidente da Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (Central), Eduardo Macedo, após um embate de meses contra os atrasos nas obras de reinstalação dos bondes, serviço suspenso após a morte seis pessoas, entre elas o motorneiro Nelson Corrêa da Silva, em agosto de 2011. A previsão que o governo Sergio Cabral havia divulgado, ainda em 2013, era de ter os bondes circulando no mês que vem.

– Essas obras não ficam prontas nem em Agosto, portanto, após a Copa do Mundo – afirmou Macedo à reportagem do Correio do Brasil.

Segundo o ex-executivo da Central, a instituição avisou à Casa Civil do governo Cabral que, por uma série de atrasos ocorridos ao longo dos últimos meses, “todos eles devidamente documentados”, disse, os cronogramas previstos nas obras de responsabilidade das empresas Elmo Eletro Montagens e a espanhola Azvi S/A não seriam cumpridos. O consórcio Elmo-Azvi recebeu a dotação orçamentária de R$ 58.652.407,34 para a instalação dos novos bondes em Santa Teresa. A multa, por atraso nas obras, é estabelecida em 5% do valor do contrato, podendo chegar a R$ 3 milhões.

– Tanto a Casa Civil quanto o consórcio responsável pelas obras foram alertados para a aplicação de multa e outras sanções pertinentes ao contrato, para o caso de descumprimento do cronograma, como de fato tem ocorrido – acrescentou Macedo, que deixou o cargo nas últimas 24 horas.

Na nota, a Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (Amast) afirma que Macedo e a engenheira-chefe da Central, Ana Carolina Vasconcelos, “pediram exoneração de suas funções”. Ainda na nota, a Amast afirma que ambos os executivos da empresa pública “estavam travando uma queda de braço muito dura com o Consórcio Azvi-Elmo, responsável pela obra de troca de trilhos e que a Casa Civil se posicionava sempre ao lado do Consórcio”.

“Para nós é mais uma perda. Do jeito que estão as coisas, o diálogo com Eduardo Macedo era de fundamental importância. Mais uma porta fechada. No lugar dele entra Maurício Pessoa. No lugar de Ana Carolina entra Marcelo Neri”, informa a associação e acrescenta:

“Tempos ainda mais difíceis vem por aí”.

Macedo, porém, prefere não ligar a sua exoneração à “queda de braço” citada na nota da Amast. No telefonema que recebeu do gabinete do secretário de Transportes, Júlio Lopes, a decisão que motivou sua saída do cargo “foi política”.

– Ao pedir a posição que eu ocupava, o governo do Estado alegou que o motivo era um reordenamento dos cargos na secretaria, que é ocupada politicamente pela legenda do Partido Popular (PP), em virtude da futura mudança de comando, com a saída do governador Sergio Cabral no final deste mês – afirmou Macedo, que também é presidente do PMDB do Município de Três Rios.

Procurada pela reportagem do CdB, a secretaria estadual de Transportes não respondeu aos telefonemas. Nem a Elmo Eletro Montagens, com sede em Porto Alegre (RS), nem a Azvi S/A, com sede em Madri, também procuradas por telefone, devolveram as ligações.


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