Postagem em destaque

Em almoço com militantes, João Paulo Cunha diz que não ficará calado

João Paulo Cunha almoça com petistas acampados em apoio aos mensaleiros presos, em Brasília


SEVERINO MOTTA
DE BRASÍLIA | FOLHA DE SP

O deputado João Paulo Cunha (PT-SP) almoçou nesta segunda-feira (3) com cerca de 30 militantes que estão acampados no estacionamento do STF (Supremo Tribunal Federal) em protesto contra a condenação de petistas no esquema do mensalão.

Durante a refeição, agradeceu o apoio e disse que, embora "alguns queiram", a única coisa que ele não vai fazer "é ficar calado". A declaração de João Paulo acontece na semana seguinte à do presidente do STF, Joaquim Barbosa, de que os condenados deveriam ficar no "ostracismo". Ontem, o parlamentar também havia rebatido críticas do ministro em artigo publicado na Folha.

Cunha, que apesar de condenado segue solto devido ao fato de Barbosa ter saído de férias no último dia 7 sem assinar seu mandado de prisão, chegou ao acampamento por volta das 14h30 e foi saudado com gritos pelos militantes ligados ao PT e à CUT.

Ele comeu arroz, feijão, carne ensopada com batata, mandioca e linguiça, carne seca desfiada e salada de tomate com cebola. Para beber foi servido suco de uva e refrigerante de laranja. O deputado elogiou a comida, só reclamou por não haver algo "para abrir o apetite".

Após comer, um militante perguntou se ele não iria repetir a refeição. O deputado, referindo-se à possibilidade de ser preso à qualquer momento, disse que, como não sabia o que o aguardava, era melhor "ir devagar".

Na conversa com os militantes e após o almoço, falando a jornalistas, João Paulo disse que um dia a história mostrará que o mensalão foi uma farsa. Ele se considera inocente e afirmou que apresentará um recurso conhecido como revisão criminal como última apelação ao STF e, caso não tenha sucesso, irá recorrer a organismos internacionais.

Questionado se aparecer no acampamento do STF no dia de abertura do ano Judiciário seria uma provocação, o deputado respondeu que não. "Os ministros e o próprio Supremo sabem que eu não sou de provocar ninguém, de agredir ninguém (...) não quero que ninguém tenha como provocação ou qualquer atentado".

Em relação à renúncia de seu mandato, João Paulo voltou a dar sinais de que não abrirá mão de sua vaga na Câmara. Segundo o parlamentar, não se deve perguntar se ele renunciará ou não, mas sim questionar se é "justo uma pessoa que não cometeu nenhum crime deixar de exercer o seu ofício".

Por fim, o deputado disse que pretende estudar e tentar trabalhar enquanto estiver na prisão em regime semiaberto. "Tirando a injustiça que é feita, evidente que tudo que é direito nosso, por exemplo, trabalhar, estudar, tudo isso vamos requerer".


0