Governo gasta muito e investe pouco

As despesas do governo vem aumentando num ritmo duas vezes superior ao dos investimentos públicos


ANTONIO TEMÓTEO | CORREIO BRAZILIENSE

As despesas do governo vem aumentando num ritmo duas vezes superior ao dos investimentos públicos. De janeiro a novembro, os gastos totais subiram 14,1%, enquanto que o montante direcionado para obras teve elevação de 6,4%, segundo dados do Tesouro Nacional. É uma situação que trava o crescimento da economia. Para analistas, seria preciso que o governo promovesse um forte ajuste fiscal para aumentar o nível de investimentos.

Para Felipe Salto, especialista em finanças públicas da Tendências Consultoria, o Executivo fez uma escolha errada ao privilegiar o aumento de despesas correntes. Ele também ressaltou que o orçamento é muito rígido e deixa pouca margem para investir. Na avaliação do economista, um ajuste fiscal, com aumento de carga tributária, será inevitável para aumentar a arrecadação, uma vez que fraca atividade econômica e as desonerações tributárias diminuíram a entrada de recursos nos cofres públicos.

“Outra coisa que deve ser seguida é a velha receita de controle de gastos com pessoal e despesas correntes para abrir espaço para os investimentos”, ressaltou.

O especialista em finanças públicas da Universidade de Brasília (UnB) José Matias-Pereira explicou que a política fiscal expansionista do governo, que incentiva o consumo, está esgotada. Para que o país volte a crescer, é necessário elevar o patamar de investimentos na economia. Ele comentou que o Executivo é ineficiente ao prestar serviços à população e até mesmo ao alocar recursos em obras necessárias para aumentar a atividade produtiva. “Precisamos fazer um ajuste fiscal e uma reforma administrativa para mudar esse cenário”, comentou.

Otimismo

O secretário do Tesouro, Arno Augustin, criticou o pessimismo e avaliou que os investidores estão confiantes no Brasil. Segundo ele, isso ficou claro com o sucesso das concessões na área de infraestrutura, como estradas e aeroportos. “Os estrangeiros, em especial, veem o Brasil como uma grande oportunidade. O mercado tem dito sim ao país. As projeções que faz para a economia brasileira são muito boas e até melhores que as do próprio governo”, comentou.


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