Ideli se explicará por escrito

Comissão do Senado aprova requerimento que cobra esclarecimentos da ministra a respeito de uso indevido de helicóptero do Samu

LEANDRO KLEBER e JOÃO VALADARES | CORREIO BRAZILIENSE


A ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, terá de explicar ao Senado por que utilizou o único helicóptero da Polícia Rodoviária Federal em Santa Catarina conveniado ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em deslocamentos para visitar suas bases eleitorais e reforçar a imagem pública. Ontem, a Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) da Casa aprovou requerimento que solicita os esclarecimentos à ministra, pré-candidata do PT ao governo do estado. Ideli é investigada pelo Ministério Público Federal em Joinville e tem a conduta apurada pela Comissão de Ética da Presidência da República.

A ideia inicial do líder do PSDB, senador Aloysio Nunes (SP), que apresentou o requerimento convidando a petista, era chamar a ministra pessoalmente para explicar o caso em audiência na comissão. Mas, por entendimento com o líder do PT no Senado, senador Wellington Dias (PI), a medida foi substituída por um requerimento que solicita as explicações somente por escrito. Dias argumentou que, nesses casos, a praxe é pedir informações por escrito. Na justificativa do requerimento, o líder tucano cita as reportagens publicadas pelo Correio e afirma que o objetivo é “buscar informações que possam justificar essa utilização indevida de um bem público e o consequente abuso de poder”.

O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) se manifestou favoravelmente ao requerimento de Nunes. Na visão dele, a ministra deveria se explicar na comissão. Porém, ressaltou que, em se tratando de um acordo costurado com o líder do partido dele, era melhor respeitar a decisão conjunta. O debate em torno do assunto durou cerca de meia hora. Caso Ideli não convença os senadores por escrito, a oposição insistirá na presença dela no Senado.

No início de outubro, o Correio revelou que Ideli intensificou a agenda de missões oficiais em sua base eleitoral para turbinar as aparições públicas na região. Para isso, a ministra viajava a bordo do helicóptero da PRF do estado, justamente a aeronave destinada à remoção de pacientes graves resgatados em acidentes e tragédias naturais. Em pelo menos três dias em que ela usou o helicóptero, houve 52 acidentes com 73 feridos e dois mortos nas rodovias de Santa Catarina.

Agenda incompatível

As ordens de missão para utilizar a aeronave indicaram que a ministra participou de eventos que não tinham relação direta com a função de articulação política desenvolvida por Ideli à frente da pasta.

Foram entregas de casas, inauguração de obras, lançamento de projetos e até participação em formatura de bombeiros. A agenda da ministra mostra que ela participou de 35 eventos no estado somente nos últimos dois anos.

O helicóptero conta com uma maca, tubo de oxigênio e materiais de primeiros socorros. Porém, quando ficava à disposição de Ideli, a aeronave tinha os equipamentos retirados. Em sua defesa, a Secretaria de Relações Institucionais afirma que a aeronave é multifuncional e não fica destinada exclusivamente à remoção de feridos nas estradas.



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