Emendas a cidades investigadas na 'máfia do asfalto' somam R$ 11 mi

FOLHA DE SP
DE RIBEIRÃO PRETO

Deputados federais da bancada de São Paulo que tiveram seus nomes citados numa lista que aponta suposto pagamento de propina para fraudar licitações públicas apresentaram emendas que indicaram R$ 10,9 milhões nos últimos três anos para municípios onde atuou a chamada máfia do asfalto.

Arlindo Chinaglia (PT), Cândido Vaccarezza (PT), Devanir Ribeiro (PT) e Jefferson Campos (PSD) apresentaram 148 emendas parlamentares, que totalizaram R$ 172 milhões, entre 2010 e 2012.

Pouco mais de 6% desse total propuseram o financiamento de obras de pavimentação, recapeamento asfáltico e saneamento em 11 municípios onde investigações da Operação Fratelli apontaram indícios de fraudes.

Os R$ 10,9 milhões indicados pelos parlamentares estão distribuídos em 16 emendas -- em três cidades há mais de uma emenda.

Os municípios que mais receberiam dinheiro das emendas seriam Votuporanga, com R$ 3,15 milhões, e Fernandópolis, com R$ 2,22 milhões.

Ficam em Votuporanga as sedes da Demop e Scamatti & Seller, do grupo Scamatti, de Olívio Scamatti, empresário tido pelo Ministério Público como mentor do esquema que fraudou contratos que somam R$ 112 milhões.

Apesar de as emendas terem sido destinadas, nem todas as obras foram executadas. Indicar um município para receber verba por meio de emenda não é garantia de que o recurso seja aplicado.

Os quatro deputados paulistas tiveram os nomes mencionados em planilha apreendida pela Polícia Federal, em abril, e também foram citados em escutas telefônicas autorizadas pela Justiça.

A Folha localizou ao menos dez emendas parlamentares de autoria deles, no valor de R$ 5,26 milhões, para pavimentação asfáltica e recapeamento nos municípios paulistas de Adolfo, Andradina, Guzolândia, Herculândia, Ibirá, Lavínia, Osvaldo Cruz, Ouroeste, Santa Albertina e Santópolis do Aguapeí. Os serviços foram executados pela Demop ou Scamatti & Seller.

Como a Promotoria viu indícios de que a lista pode ser a contabilidade para um suposto pagamento de propina a deputados estaduais, deputados federais e prefeitos, o caso foi remetido à Procuradoria-Geral de Justiça do Estado e à Procuradoria-Geral da República, fóruns adequados para investigar políticos com mandatos.

OUTRO LADO

Os deputados federais que destinaram emendas para as cidades investigadas negam terem recebido propina.

O deputado Arlindo Chinaglia informou, por meio de nota, que vai comunicar aos prefeitos para deixarem de usar recursos das emendas de sua autoria para recapeamento asfáltico.

Em nota, Cândido Vaccarezza (PT) disse que as emendas que indicou foram executadas pelas prefeituras e fiscalizadas pela Caixa. Jefferson Campos (PSD) afirmou que nunca teve envolvimento com as pessoas citadas na investigação. A assessoria do deputado Devanir Ribeiro (PT) não respondeu aos contatos da reportagem.



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