Polícia no Rio prende fiscais da Vigilância Sanitária acusados de extorsão

Felipe Martins
Do UOL, no Rio

Pelo menos 23 pessoas foram presas nesta quinta-feira (3) durante uma operação para desmantelar um esquema de corrupção comandado por fiscais da Vigilância Sanitária da cidade do Rio de Janeiro. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a quadrilha formada por funcionários públicos chegava a movimentar cerca de R$ 500 mil por mês.

Comandada pela secretaria com apoio da Polícia Civil e Ministério Público, a operação cumpre 30 mandados de prisão contra fiscais e outros dois profissionais.

De acordo com as investigações, os fiscais extorquiam dinheiro de comerciantes para não aplicar multas desnecessárias ou deixar de combater irregularidades. Duas espingardas foram apreendidas na casa de um dos fiscais.

No sítio de um dos fiscais acusado de participação no esquema foram encontrados R$ 800 mil em espécie, segundo a secretaria. O homem, identificado como Luís Carlos Ferreira Abreu, não foi encontrado na residência. Mais R$ 200 mil foram apreendidos com outros acusados.

Dos 30 mandados, 27 são contra fiscais, além de um contra um gari. Os outros dois foram contra um empresário do ramo de dedetização e um arquiteto que também participavam do esquema, segundo a secretaria.

A quadrilha oferecia o serviço deste dois profissionais, além de cobrar propina para liberação de laudos e comprovantes de regularização.

Os alvos da quadrilha eram bares, restaurantes, empresas de projetos arquitetônicos, clínicas médicas, farmácias e outros tipos de estabelecimentos comerciais.

Os indiciados foram autuados pelos crimes de formação de quadrilha, concussão (extorsão praticada por funcionário público), peculato (desvio de dinheiro público) e concurso material (cometer, com os mesmos atos, dois ou mais crimes, idênticos ou diferentes).

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que solicitou apoio da Polícia Civil para apurar as denúncias feitas por empresários e comerciantes. "A Secretaria Municipal de Saúde está colaborando com as investigações para que os responsáveis sejam identificados e punidos", diz o texto.

Participam da ação 200 agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) e da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública (Ssinte), 15 equipes de delegacias da capital, 15 equipes de delegacias especializadas, além da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), oito equipes de delegacias da Baixada Fluminense e oito equipes de delegacias do Interior.



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