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Governos de Serra e Alckmin deram aval para propinoduto do Metrô, acusa a Siemens

Correio do Brasil

A multinacional Siemens teria apresentado ao Conselho Administrativo de Desenvolvimento Econômico (Cade), nesta sexta-feira, documentos que atestam o aval do governo de São Paulo nas gestões do então governador José Serra e do atual, Geraldo Alckmin, à formação de um cartel para licitações de obras do metrô no Estado. O acordo permitiu ampliar em 30% o preço pago em outra licitação para manutenção de trens da CPTM. O caso se torna cada vez mais rumoroso, agora, com o vazamento de relatório interno da empresa alemã, de fevereiro de 2000, no qual está dito que “o fornecimento dos carros (trens) é organizado em um consórcio político. Então, o preço foi muito alto”.

Na tentativa de se reabilitar junto ao setor público brasileiro, diante de uma crise sem precedentes na história da companha, a Siemens delatou a existência do cartel para compra de equipamento ferroviário, além de construção e manutenção de linhas de trens e metrô em São Paulo e no Distrito Federal. A formação do cartel para a linha 5 do metrô de São Paulo, segundo a empresa, começou em 2000, quando o Estado era governado pelo tucano Mário Covas, morto no ano seguinte. O esquema se estendeu ao governo de seu sucessor, Geraldo Alckmin (2001-2006), e ao primeiro ano de José Serra, em 2007. Ouvido por jornalistas, o então secretário de transportes Cláudio de Senna Frederico negou o crime, mas foi lacônico:

– Não me lembro de ter acontecido uma licitação, de fato, competitiva.

Protestos

Diante do escândalo, os metroviários de São Paulo e o Movimento Passe Livre (MPL) marcaram, para o próximo dia 14, um ato público para dar visibilidade e cobrar responsabilidades e a apuração das denúncias de desvios de recursos públicos do Metrô paulistano e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), no que ficou conhecido como ‘propinoduto tucano’.

– A ideia é denunciar o cartel e o desvio de R$ 400 milhões do metrô e os transportes, que deveriam ser usados em investimento e redução de tarifas, por exemplo, que faria muito bem à população – diz Mateus Preis, do MPL.

Preis diz que o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), entre outras entidades, deve participar do ato, cujo ponto inicial ainda está sendo discutido. Segundo o vice-presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Sérgio Renato da Silva Magalhães, o Carioca, a população vai ser informada do protesto e suas motivações com antecedência.

– No próximo dia 6, vamos divulgar uma carta aberta à população, explicando o ato, cujo núcleo é cobrar a investigação das denúncias – disse. A carta será assinada também pelo MPL.



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