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Saúde do município de São Gonçalo está à beira do abismo

Cidade conta com apenas oito ambulâncias para atender cerca de 1,1 milhão de habitantes e galpão da Prefeitura tem 150 veículos de várias secretarias parados

Vinícius Rodrigues - O Fluminense


Mais um dado alarmante sobre as condições da saúde encontradas em São Gonçalo gera mobilização e preocupação do prefeito Neilton Mulim. O município tem hoje apenas oito ambulâncias disponíveis para aproximadamente 1,1 milhão de habitantes, o que equivale a um carro para cada 137.500 pessoas. Atualmente, 20 ambulâncias se encontram abandonadas no galpão da Prefeitura de São Gonçalo.

O recomendado pelo Ministério da Saúde é de uma para cada 50 mil. Além disso, os veículos que ainda rodam na cidade estão precisando de manutenção, revisão e de ajustes urgentes para evitar acidentes.

Por outro lado, Neilton Mulim já está providenciando medidas emergenciais para colocar mais cinco veículos nas ruas e tentar amenizar o problema, o que daria um total de 13 no município, ficando muito aquém da determinação do ministério da Saúde.

As cenas são assustadoras. Ao entrar no pátio do Complexo Hospitalar Luiz Palmier, que compreende o Pronto Socorro Central de São Gonçalo, Hospital da Mulher e Hospital Infantil Darcy Vargas, no bairro do Zé Garoto, as cinco vans estacionadas mostravam problemas evidentes, além da clara necessidade de reformas.

Faróis quebrados, carros sem placas, faltas de steps - e muitos deles sem equipamentos básicos para atendimentos - eram algumas das precariedades mostradas pelos próprios motoristas. Os oito veículos disponíveis no pátio são divididos entre o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) que dispõem de desfribilador, oxímetro, aparelho de pressão arterial, aparelho de glicose, etc - doados para a cidade e utilizados em caso de acidentes -, além de outros três municipais, que servem para dar suporte aos pacientes que são encaminhados do Complexo Hospitalar para as clínicas conveniadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O quarto disponível para o descanso dos motoristas é outra precariedade. O teto está com a parte do gesso caindo, além das camas estarem quebradas e infiltrações por todas as paredes serem visíveis, no único abrigo possível disponibilizado pelos seis motoristas que se revezam em plantões de 24 horas.

“Trabalho há 17 anos em São Gonçalo e vou dizer que a gente só trabalha por amor, porque se não fosse assim teríamos desistido. Os carros estão praticamente sem freios, colocando a nossa vida em risco. Essa administração que passou deixou nossa situação assim. Se hoje o nosso quarto tem uma televisão e geladeira, é porque fizemos uma vaquinha e compramos, porque nem isso a Aparecida Panisset (ex-prefeita) fez”, disse o motorista de ambulância Alexandre Ribeiro, que está há 17 anos na função.

Oziel Souza é coordenador de frota da SAMU e das ambulâncias municipais. Para ele, a atual gestão, que está há 15 dias à frente da prefeitura, está fazendo todos os esforços possíveis para resolver os problemas e revelou qual a ordem dada pelo prefeito Neilton Mulim. “A ordem que eu tenho é uma só. Fazer o orçamento das ambulâncias, correr contra o tempo e comprar todas as peças para que possamos colocar pelo menos 13 ambulâncias em circulação. O prefeito quer isso o mais rápido possível. Nesta semana eu já comprei diversas peças, e durante a semana que vem eu comprarei outras”, disse ele, que afirmou ter encontrado apenas três ambulâncias disponíveis no início do ano e em menos de 15 dias colocou outras duas em circulação.

Reconhecendo que o número não é ideal, apesar de todos os esforços, Oziel afirmou que a ação é de caráter emergencial, através da força tarefa que será feita após a compra de todo o material possível para colocar as ambulâncias que estão paradas em utilização.

Entretanto, ele sabe que o orçamento será melhor quando as parcerias começarem a acontecer na cidade. “A intenção certamente é de colocar carros novos na rua. A cidade de São Gonçalo merece o melhor”, ressaltou. n

Cerca de 150 veículos parados- No galpão da Prefeitura de São Gonçalo estão aproximadamente 150 veículos parados. Entre carros disponíveis para atender à demanda de diversas secretarias, cinco ambulâncias estavam em manutenção. O responsável pelo conserto é o mecânico Paulo Roberto Souza, há 10 anos trabalhando no local.

Para ele, muitos carros não precisariam estar ali, já que o custo para consertá-los seria muito maior do que tentar comprar um veículo novo. “Aqui nós temos diversos carros parados. Algumas ambulâncias que aqui estão não serão consertadas por estarem aqui há diversos anos, e por isso, não existe a possibilidade de colocar na rua por serem verdadeiras carcaças. Hoje eu trabalho em cima de cinco unidades. A intenção é amenizar o problema logo”, disse o mecânico de 55 anos.

Ainda de acordo com Oziel Souza, as carcaças já deveriam ter sido retiradas se o pedido fosse feito ao Ministério Público Estadual (MPE) pela gestão anterior. Se isso tivesse acontecido, novas ambulâncias seriam disponibilizadas para entrar no lugar da frota atual. Como o pedido não foi feito, entende-se que os carros inutilizados ainda estejam em funcionamento normal: “Também já estamos correndo atrás dessas documentações para dar baixa no sistema, e assim, darmos entrada nos novos veículos”, disse Oziel.

Balanço – Na última segunda-feira, Neilton Mulim decretou um rombo orçamentário de R$ 110 milhões na saúde, causando estado de calamidade pública.
 
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