Em Juiz de Fora, auxílio é pago, mas paletó não é usado

Câmara já gastou este mês com o benefício R$ 210 mil; vereador recebe R$ 15 mil

O Globo

Belo horizonte - Em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, 14 dos 19 vereadores receberam R$ 15 mil de auxílio-paletó. Como em Belo Horizonte e no Rio, o benefício é pago em duas parcelas, no início e no final do ano, sendo cada uma delas equivalente ao salário do parlamentar. Ocorre que os vereadores de Juiz de Fora não são obrigados a usar o traje social.


Nas reuniões plenárias, muitos deles comparecem vestidos com calça jeans, camisa de malha e tênis. O custo em janeiro com o benefício foi de R$ 210 mil. A assessoria da Câmara informou que em três dias do mês os políticos tiveram atividades.


A Câmara chegou a aprovar, no fim do ano passado, um texto que extinguia a regalia, cuja tramitação ainda não foi concluída. Mas o presidente da Câmara, Julio Gasparette (PMDB), eleito para um quarto mandato, defendeu sem rodeios o pagamento do benefício.


- Sempre respeitei o regimento interno e a legislação. O que é direito é direito e ponto final. Aqui, para seu conhecimento, é uma das câmaras mais enxutas do país - disse Gasparette, que afirmou doar uma parte do recurso para instituições de caridade. - O dinheiro que uso para comprar roupas sai o ano inteiro da Câmara. Ou você acha que compro tudo em paletós? - questionou.


Três vereadores de Juiz de Fora abriram mão da verba. Para eles, o fato de a maioria dos trabalhadores não usufruir do mesmo benefício acaba gerando mal-estar.

Origem na ditadura militar
 

Para o cientista político Fernando Luiz Abrucio, da Fundação Getulio Vargas (FGV) de São Paulo, boa parte desse tipo de benesse foi criada pelo regime militar.

- Foi uma forma de agradar, garantir a satisfação da classe política e, ao mesmo tempo, garantir que todos ficassem calados, quietos. Mesmo com o fechamento do Congresso, dos partidos e a extinção dos direitos políticos. E o legado que vem do regime militar foi ficando até hoje. O parlamento tem que acabar com isso se quiser conquistar um pouquinho de crédito com a opinião pública - avaliou Abruci.
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