Catorze são presos suspeitos de corrupção na prefeitura de Bom Progresso, no Rio Grande do Sul

Lucas Azevedo
Do UOL, em Porto Alegre

Catorze pessoas foram presas na manhã desta terça-feira (18), no Rio Grande do Sul, suspeitas de participarem de um esquema de corrupção que desviou R$ 7 milhões dos cofres da prefeitura de Bom Progresso (483 km de Porto Alegre), no norte do Estado. Quatro secretários municipais foram detidos, entre eles dois filhos do atual prefeito da cidade - que não é alvo da operação.

Coordenada pela Delegacia Fazendária do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), a Operação Babilônia conta com 290 policiais que cumprem 55 mandados de busca e apreensão e 13 de prisão nos municípios de Três Passos, Bom Progresso, Santo Augusto, Três de Maio, Passo Fundo, Ijuí, Braga e Porto Alegre. Uma pessoa foi presa em flagrante por porte de arma.

O esquema desviava dinheiro público através de fraudes em licitações, em programas como o Bolsa-Família, transporte escolar e convênios para o fornecimento de medicamentos. A irregularidade consistia na compra superfaturada de produtos. A farmácia emitia notas em nome de pessoas carentes, como se elas tivessem comprado remédios cobertos pelo convênio com a Prefeitura, que empenhava e pagava a farmácia.

Três secretários municipais de Bom Progresso foram presos. Dois são filhos do prefeito Armindo David Heinle (PP), que não é alvo das investigações: Jarbas Heinle, secretário da Saúde, e Newton Jair Heinle, de Finanças. Já o vice-prefeito, Amauri Campos de Araújo (PDT), que está entre os investigados, teve seu afastamento do cargo decretado pela Justiça. Um empresário dono de uma grande rede de farmácias também está entre os detidos. 


Voz de prisão

Os suspeitos devem ser indiciados pelos crimes de fraude a licitações, peculato apropriação, peculato desvio, formação de quadrilha, coação no curso do processo, lavagem de dinheiro, falsidade documental e uso de documento falso. Além dos três secretários municipais, empresários estão recebendo voz de prisão por terem cometido crimes contra a administração pública.

A polícia apreendeu documentos, computadores, seis espingardas e quatro revólveres. Ainda foram apreendidos talonários de combustível, em branco, mas já assinados. Entre outras medidas tomadas pela Polícia Civil na Operação Babilônia está a inviolabilidade dos bens patrimoniais dos acusados e a quebra do sigilo bancário.

Conforme as investigações, que também utilizaram escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, os investigados chegaram a negociar a compra de armas e combinaram métodos de intimidação a testemunhas.
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