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Há seis dias no cargo, prefeito descobre "rombo milionário" e renuncia

Sidney Tenório e Renée Le Campion - Tudo na Hora

Após seis dias no comando do Executivo da Barra de São Miguel, George Raposo Maia Neto renunciou formalmente ao cargo de vice-prefeito nesta quinta-feira (16). Em coletiva de imprensa, o seu irmão, José Márcio Maia Júnior, e o advogado Marcelo Brabo revelaram um rombo de R$ 2,5 milhões no Município, deixado pelo prefeito afastado Reginaldo de Andrade.

Em documento protocolado no Tribunal de Justiça (TJ/AL) e no Ministério Público Estadual (MPE), o ex-vice prefeito expõe os motivos que o levaram a deixar o cargo e afirma que a cidade vive um “verdadeiro caos administrativo, financeiro e legal”.

Lelo Maia, como é conhecido George Raposo, assumiu a prefeitura no último dia 10, após o afastamento do prefeito Reginaldo Andrade, que é acusado de uma série de crimes contra a administração pública. Após exercer o cargo de prefeito interino por poucos dias, Lelo renunciou nesta quinta, como antecipou o blog do jornalista Ricardo Mota.

A Prefeitura da Barra de São Miguel deve R$ 718 mil em salários de funcionários, segundo consta no documento protocolado por Lelo Maia. À imprensa, o irmão dele, José Márcio Júnior, disse que o pagamento dos salários dos efetivos está atrasado há 15 dias, e o dos comissionados há três meses.

Outra irregularidade apontada pelo vice-prefeito é a aplicação de verbas do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica). Segundo Lelo, foi feita a transferência de R$ 475 mil do fundo para contas diversas do município.

Na carta enviada ao presidente da Associação dos Municípios de Alagoas (AMA), Lelo ainda levanta a hipótese de paralisação dos serviços da Eletrobras, já que os fornecedores não têm recebido os créditos que têm direto.

“De igual modo, se encontra em débito com os repasses do duodécimo desta Câmara Municipal, como as obrigações legal, inclusive o INSS de seus servidores e prestadores de serviço”, afirma George Raposo.

O ex-vice-prefeito ainda aponta a ausência de controle no recebimento de verbas de convênios, inclusive federais, e a falta de documentos e de assinaturas, o que impossibilita a prestação de contas.

“Para se ter uma ideia da condução levada a efeito, encontramos, nas gavetas da administração, diversos talões de cheques em branco assinados pelo prefeito e pelo secretário de Finanças, o que, no mínimo, é uma temeridade”, revela George Raposo.

Presidente da Câmara pode não assumir cargo


Com a renúncia do vice-prefeito, o prefeito interino da Barra de São Miguel deve ser o presidente da Câmara de Vereadores, Carlos Alves. Entretanto, há informações de que ele não deve aceitar a função.

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