Sarney atribui a "equívoco" omissão de mansão de R$ 4 milhões da Justiça Eleitoral



O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), diz que foi "um equívoco do contador" a omissão da mansão avaliada em R$ 4 milhões na declaração de bens à Justiça Eleitoral. A informação foi divulgada em nota da assessoria de imprensa de Sarney nesta sexta-feira (3) após reportagem do jornal "O Estado de S.Paulo", que aponta a não declaração da mansão.

A nota divulgada pela assessoria da presidência do Senado afirma que ele declara a casa em que ele mora em Brasília à Receita Federal desde 1999, mas, "por equívoco do contador, em 2006, foi apresentada à Justiça Eleitoral a mesma lista de bens de 1998 [na qual não constava o imóvel]", diz a nota.

Ainda de acordo com a nota, a casa não está na declaração de 1998 porque havia sido comprada em agosto de 1997 em leilão e o pagamento foi feito em dez parcelas. "Durante esse período, o imóvel permaneceu em domínio de seu antigo proprietário, motivo pelo qual não foi incluído na declaração de Imposto de Renda de 1998 e, por consequência, não foi informado à Justiça Eleitoral naquele ano."

Sarney afirma que o registro do contrato de compra e venda foi lavrado em cartório em setembro de 1997, mas a formalização em escritura foi feita apenas em 2007. O presidente apresentou certidão do TCU (Tribunal de Contas da União) confirmando que o imóvel consta nas cópias de suas declarações do Imposto de Renda de 1999 a 2007, arquivadas no tribunal.

Na tarde desta sexta, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), defendeu Sarney e cobrou explicações do DEM, partido que o apoio nas eleições à presidência da Casa e que agora pede seu afastamento temporário.

Sarney e Lula reuniram-se hoje em Brasília para discutir a questão. Às 13h40, Sarney deixou a reunião, mas não falou com a imprensa.

Aliança para 2010

Na tarde de ontem (2), o líder do PT do Senado, Aloizio Mercadante, afirmou no plenário que o partido seguiria as recomendações do presidente Lula sobre a permanência do presidente do Senado no cargo, em discurso que priorizou a manutenção da aliança com o PMDB, fundamental na sucessão presidencial em 2010 na provável candidatura de Dilma. Mas ressalvou que a posição da bancada permanecia a mesma: "Não estamos pedindo a renúncia de Sarney, apenas um afastamento temporário", disse.

Na quarta, a bancada do PT decidiu pedir a Sarney que se afaste temporariamente do cargo enquanto durarem as investigações de irregularidades na Casa. Como resposta, o peemedebista disse que preferiria logo renunciar. Da Líbia, Lula afirmou que a oposição queria ganhar a presidência do Senado "no tapetão".

Após reunião na casa de Sarney, ainda na noite de quarta (1), a bancada recuou. Segundo Mercadante, os petistas não vão se indispor com o PMDB. "A aliança com o PMDB é fundamental para o país. Não me peçam um ato oportunista de acabar com a governabilidade." E criticou o DEM, partido aliado nas eleições na Casa que resolveu apoiar o afastamento de Sarney. "Nossos principais aliados, sobretudo o PMDB, estavam contra a nossa candidatura. Como simplesmente se retirar nesse momento e dizer que a crise é responsabilidade de José Sarney?"

Quatro partidos se manifestaram favoráveis ao afastamento temporário de Sarney enquanto durarem as investigações de irregularidades na Casa, principalmente atos secretos de nomeação de parentes e apadrinhados do próprio presidente do Senado -PSDB, PDT, PSOL e o aliado do peemedebista em sua eleição, DEM.
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