Ex-presidente da Câmara de Cuiabá é procurado por fraude de R$ 7,5 milhões



Eduardo Penedo
Em Cuiabá

A Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Administração Pública deflagrou nesta segunda-feira (29) a Operação Crepúsculo, que visa combater crimes contra o patrimônio público em Cuiabá. Foram expedidos 11 mandados de prisão - cinco contra empresários e os outros seis contra servidores e ex-servidores - e 12 de busca e apreensão. Entre os envolvidos está o ex-presidente da Câmara de Cuiabá, vereador Lutero Ponce (PMDB), que está foragido.

Ponce é investigado pelo rombo de R$ 7,5 milhões da Câmara durante sua gestão, no período de 2006 e 2007. O vereador é acusado de se envolver em um esquema de falsificação de documentos de empresas para que estas figurassem como participantes de processos licitatórios na Câmara de Cuiabá.

"O grupo usava documentos falsos e fazia ajuste de conduta para que 90% do valor fosse devolvido à Câmara, e apenas 10% do contrato era cumprido", informou a delegada Maria Alice Amorim. A operação confirmou o desvio de R$ 3 milhões apontado pela auditoria feita pelo atual presidente da Câmara, Deucimar Silva (PP).

Os suspeitos são acusados de formação de quadrilha, falsidade ideológica, falsidade de documento particular e público, crime de peculato e fraude em licitação.

Pelo menos três assessores de Ponce tiveram a prisão temporária decretada: o ex-presidente da Comissão de Licitação da Câmara, Ulisses Reiners de Carvalho, o ex-diretor Financeiro, Luiz Henrique Silva Camargo, e o ex-secretário-geral da Casa, Hiram Monteiro da Silva Filho.

Conforme a delegada, cerca de 100 pessoas foram ouvidas no inquérito policial que possui cinco volumes e mais de 80 anexos.

O advogado do vereador Lutero Ponce, Paulo Taques, disse que o parlamentar viajou neste fim de semana para uma cidade do interior e ainda não retornou. Taques já entrou com medidas judiciais para revogar o mandado de prisão temporária expedido pela Justiça.
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