O Nordeste pede urgência em ajuda

Estados reclamam de lentidão na liberação de recursos para região atingida pelas chuvas

Brasília

Os governadores do Nordeste defenderam, ontem, a criação de um fundo nacional de Defesa Civil para destinar recursos à recuperação de estados em situação de calamidade pública de forma mais ágil e com menos burocracia. A proposta foi sugerida ao governo durante audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado.

Segundo o governador do Piauí, Wellington Dias, a burocracia é o principal entrave para a recuperação das cidades atingidas pelas enchentes. O Piauí é uma das principais unidades federativas afetadas pelas enchentes provocadas pelas chuvas.

– Para fazer uma habitação para uma vítima de enchente é dez vezes mais complicado do que por um convênio ou outro e muito mais ainda do que com recursos do estado. Da enchente ocorrida em 2004, só no ano passado é que consegui concluir as habitações. É impossível o país trabalhar em situações de calamidade pública dessa forma – criticou. Dias lembrou que 62 municípios piauienses foram atingidos pelas chuvas que deixaram cerca de 14 mil famílias desabrigadas porque tiveram a casa inundada ou destruída.

Segundo o governador, o estado contabiliza ainda 17 pontes total ou parcialmente destruídas. De acordo com Dias, ainda não é possível calcular o volume de recursos necessários para recuperar as cidades atingidas, pois é preciso esperar as águas baixarem para ter a real dimensão do problema.

O vice-governador do Ceará, Francisco José Pinheiro, também fez um relato sobre a situação no estado e estimou que serão necessários cerca de R$ 96 milhões para recuperar os estragos causados pelas enchentes. Segundo ele, o setor de fruticultura, que tem grande parte da produção voltada para a exportação, terá prejuízo de cerca de R$ 16 milhões.

A representante do governo do Rio Grande do Norte, Luiza Goes de Oliveira, apresentou estimativas das perdas com as enchentes que devem ficar em torno de R$ 100 milhões. Segundo ela, o valor é o dobro do prejuízo provocado pelas chuvas no ano passado. – Como será nos próximos anos caso não sejam tomadas providências? – questionou.

No último dia 5, o presidente Lula esteve no Piauí e no Maranhão para sobrevoar as áreas afetadas.

O presidente já afirmou que pretende enviar nos próximos dias ao Congresso Nacional uma medida provisória que libere dinheiro para a recuperação de estados do Nordeste. Informações recolhidas junto aos departamentos de Defesa Civil estaduais apontam que 320 municípios localizados em 11 Estados estão sofrendo com o excesso de chuvas e enchentes.

Apesar das 36 mortes e das 218 mil pessoas fora de casa no Nordeste, apenas três estados (Maranhão, Ceará e Piauí) dos nove da região lançaram campanhas para arrecadar dinheiro e doações – e isso há apenas alguns dias. Os demais dizem que os governos têm condições de atender as pessoas atingidas.

Falhas

O ministro das Cidades, Márcio Fortes, também presente na audiência pública, explicou aos governadores que está liberando de forma rápida os recursos para atender os estados atingidos pelas enchentes, mas que alguns municípios com problemas em suas contas ou que apresentaram projetos com falhas técnicas demoram a receber ou têm os pedidos rejeitados.

O ministro disse que ficou impressionado com o que viu ao sobrevoar o Maranhão. Segundo ele, no lugar de rios encontrou um verdadeiro mar cobrindo muitas regiões do estado. Ele afirmou que é impossível reconstruir casas em algumas regiões que estão totalmente alagadas.

Fortes destacou que é preciso observar as condições dessas regiões, principalmente em função das mudanças climáticas, já que poderão estar sujeitas a mais chuva forte nos próximos anos. Para ele, a saída é procurar terrenos mais altos.

– Para isso é preciso esperar as águas baixarem, porque também é necessário fazer projetos para novas barragens e diques, além das estruturas de saneamento – detalhou. Fortes destacou ainda que, neste primeiro momento o socorro às populações flageladas deve consistir em abrigá-las e fornecer alimentação e medicamentos (Com agências)

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