Polícia Federal indicia dois prefeitos e três vereadores por crime eleitoral em Alagoas



Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

A força-tarefa da Polícia Federal enviada a Alagoas para investigar crimes eleitorais nas eleições de 2008 anunciou os primeiros resultados em entrevista coletiva nesta terça-feira (14). Com apenas 21 inquéritos já concluídos, a PF indiciou 31 pessoas, entre elas os prefeitos de São Luis do Quitunde, Jean Cordeiro (PP), e de Rio Largo, Toninho Lins (PSB); e os vereadores da capital Maceió, Dino Júnior (PC do B), Nery Almeida (PV) e Fátima Santiago (PP).

Todos os inquéritos concluídos já estão ou serão entregues ainda esta semana ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que anunciou que "deve julgar os casos com brevidade".

Segundo o superintendente da Polícia Federal em Alagoas, José Pinto de Luna, as investigações apontaram para diversos tipos de crime eleitoral, com a prevalência absoluta da compra de votos. Dos indiciados apontados nesta tarde, entre os políticos apenas o prefeito de São Luis do Quitunde não se enquadra nesse crime. "No caso do Jena Cordeiro, flagramos o transporte irregular de eleitores vindo de Pernambuco", explica Pinto de Luna, informando ainda que mais seis pessoas do município estão entre os indiciados.

No caso de Rio Largo, município da Região Metropolitana de Maceió, além do prefeito Toninho Lins, a vice-prefeita, Dra. Fátima, e mais dez pessoas foram indiciadas. No dia da eleição, um grupo de pessoas ligadas a eles foi preso com mais de R$ 20 mil em espécie.

Estado lidera fraudes no país

Ainda de acordo com o superintendente, Alagoas lidera o índice de fraudes e número de eleições complementares no Brasil. "Já tivemos quatro novas eleições, teremos mais duas este mês e ainda poderemos ter mais duas por causa desses novos inquéritos. Ainda temos o caso de Porto Real do Colégio, que teve eleição complementar e o vencedor está sendo investigado também por compra de voto", afirmou.

Outro ponto ressaltado por Luna é que as pessoas ouvidas ficaram surpresas com a convocação para um depoimento por comprarem ou venderem o voto. "A maioria disse aos delegados que achava que não isso ia dar em nada", disse Pinto de Luna.

"As investigações vieram para acabar de vez com a idéia de que comprar voto não dá em nada em Alagoas. Muita gente já perdeu e ainda pode perder o cargo", garantiu o presidente da Comissão de Combate à Corrupção eleitoral da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Paulo Brêda, que também participou da coletiva.

Outro lado

Entre os indiciados, dois vereadores já tinham sido acusados de compra de voto pelo Ministério Público Federal - Dino Júnior e Nery Almeida, primo do prefeito Cícero Almeida (PP). Ambos são acusados de comprar votos, mas negaram publicamente a prática de crime eleitoral.

No caso de Fátima Santiago, indiciada hoje, ela alega que existe "algum equívoco" por parte da PF. "Estou indo à Polícia Federal saber o que aconteceu. Prestei depoimento e esclareci tudo e pensei que tudo já havia sido resolvido", disse a vereadora em entrevista à imprensa, que alegou ainda ser alvo de "perseguição".

Outro que negou a prática de crime foi o prefeito de Rio Largo, Toninho Lins. "Acredito que a Justiça vai ver que sou inocente. Se sou prefeito hoje é porque existiu um bom trabalho da Polícia Federal nas eleições. Estou disposto a prestar qualquer novo esclarecimento", assegurou. Já Jean Cordeiro não foi localizado pelo UOL para comentar o indiciamento.

Força-Tarefa

Os trabalhos da Força-Tarefa em Alagoas, iniciados há apenas um mês, ainda continuam. Mais de 250 inquéritos aguardam investigação - todos com denúncias de crime de menor potencial que os apresentados nesta terça.

Duas equipes da PF estão no Estado, cada uma com delegado, escrivão e dois agentes. Até o momento, 111 pessoas foram ouvidas e outras centenas ainda vão prestar depoimento. Não há prazo para encerrar as investigações.
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