Pacientes que dependem da rede pública sofrem a espera de atendimento

Em Belém do Pará, pacientes agonizam nos corredores de um hospital público e morrem sem atendimento.

No maior pronto-socorro de Belém do Pará, os pacientes ficam até uma semana no corredor a espera de atendimento. Desde o início do ano 128 pacientes morreram no hospital.

Flagrantes do descaso com a saúde do cidadão. Nossos repórteres entraram no maior pronto socorro da cidade e encontraram uma situação crítica. Não há equipamentos, não há médicos. E os doentes chegam há esperar uma semana por uma vaga na UTI.

Uma mulher passa mal e são os parentes e companheiros de quarto que tentam ajudá-la. "Tem meia hora que pediu o médico e ele não veio", afirma uma mulher. Uma mulher com pedra na vesícula disse que está a uma semana na maca aguardando cirurgia. "Só esperando e chorando e eles não dão nada pra gente", diz.

O prédio tem infiltrações, goteiras, colchões velhos e equipamentos quebrados. Maria Conceição de 72 anos teve um acidente vascular cerebral e desde sábado aguardava um leito de UTI. "Ela não está na UTI porque não tem vaga", afirma o Diretor do Hospital. Maria conceição não resistiu. "Ela morreu, minha mãe morreu, eu sei que quando chega neste hospital aqui só sai morto", afirma desesperada a filha de Dona Maria Conceição, Sonia Souza.

Na segunda-feira foi enterrado o corpo de Renan Moraes dos Santos, de 11 anos, que morreu com suspeita de dengue hemorrágica. A enfermeira registrou em um documento e a própria direção do hospital confirmou que um médico se recusou a atender o menino o que pode configurar crime de omissão de socorro. "Ele deve responder a um processo administrativo e o próprio CRM vai fazer a investigação", comenta Caetano Cassiano, diretor do hospital.

Os pais do menino estão inconformados. "Meu filho estava morrendo e ninguém socorria ninguém tomava providência", diz Wilson Santos, pai de Renan. Segundo a prefeitura, o hospital tem capacidade para atender 6 mil pessoas por mês, mas recebe até onze mil. Desde o início do ano 128 pacientes morreram no hospital pronto-socorro.

A direção do hospital e parte dos médicos reconhece a falta de leitos, profissionais e equipamentos. Os médicos que atuam na UTI pediátrica afirmam que em janeiro encaminharam um documento à Secretaria Municipal de Saúde um documento em que relataram à precariedade da UTI e pedem providências. "Realmente crianças podem morrer por causa dessa precariedade de atendimento. Dá a impressão de um hospital de guerra em pleno século 21, com avanços tecnológicos, é muito ruim o atendimento no pronto socorro municipal", afirma o Diretor dos Sindicatos Médicos do Pará, Luis Sena.



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