Corregedoria vai investigar suposta doação irregular da Camargo Corrêa a senadores


GABRIELA GUERREIRO
em Brasília

O corregedor do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP), vai investigar a suposta doação irregular da construtora Camargo Corrêa para os senadores Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e José Agripino Maia (DEM-RN), apontados pela Polícia Federal como recebedores de recursos ilegais da empresa.

Tuma vai solicitar ao Ministério Público e ao juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, cópia do relatório da PF referente à operação Castelo de Areia para dar início às investigações.

"Nós temos que apurar. Fizeram denúncia de vazamento para prejudicar os partidos. Os senadores têm documentos que comprovam que repassaram esses recursos aos partidos, por isso temos que investigar", afirmou.

A PF identificou os senadores como supostos beneficiários ilegais de recursos da construtora. Agripino e Ribeiro confirmam que receberam no ano passado, respectivamente, R$ 300 mil e R$ 200 mil da Camargo Corrêa. Mas afirmam que as doações são legais porque são presidentes dos diretórios regionais do DEM e do PSDB no Rio Grande do Norte e no Pará, para onde os recursos foram encaminhados.

"Foram duas remessas, cada uma no valor de R$ 100 mil, repassadas da conta da Camargo Corrêa, no Bradesco, para a conta do diretório regional do PSDB, no Banpará. Da forma como vem o vazamento da informação, de que os recursos teriam vindo para os senadores, é que nos leva a lamentar", disse Ribeiro.

Os dois senadores apresentaram recibos que comprovam as doações da construtora para os diretórios -- que teriam utilizado o dinheiro nas eleições municipais de 2008.

Agripino, por sua vez, afirmou que a PF envolveu a oposição nas acusações para desviar o principal foco da investigação -- o suposto superfaturamento na construção da refinaria Nordeste S/A, conhecida como Abreu e Lima, em Pernambuco.

"Para nós está claro que, dentro dessa operação, o ilícito está no superfaturamento da refinaria [Nordeste S/A, conhecida como Abreu e Lima]. Mas colocaram que foi uma doação ao Agripino. Querem denegrir minha imagem e do meu partido", reagiu o democrata.

Ribeiro pediu que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), solicite formalmente à Justiça o relatório da PF com todos os detalhes da investigação. O DEM decidiu ir à Justiça para ter acesso aos dados. Se o pedido for negado, os democratas vão recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal).

Apoio

Sarney prestou solidariedade aos parlamentares em um rápido discurso no plenário do Senado. O presidente da Casa afirmou que conhece a "integridade" do democrata, por isso não acredita no seu envolvimento em irregularidades junto à Camargo Corrêa.

"Conheço-o há muitos anos e sei da sua integridade, da sua conduta e, portanto, acredito perfeitamente que jamais Vossa Excelência cometeria qualquer ilegalidade. Isto é um assunto normal num processo eleitoral, doação, porque a lei brasileira permite, e Vossa Excelência nada mais fez que cumprir aquilo que a lei brasileira permite, aceitar doações que são feitas", disse Sarney.

Dirigindo-se a Ribeiro, Sarney disse ao tucano que a Casa lhe presta solidariedade pois os senadores sabem que o parlamentar "não cometeu nenhum deslize".

O presidente do Senado pediu que Tuma investigasse a denúncia da PF porque disse não acreditar em irregularidades cometidas pelos senadores. "Todos nós somos solidários com os senadores Flexa Ribeiro e José Agripino por coisas dessa natureza", disse Sarney.

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