Grupo monta comissão para investigar ditadura



Enquanto o governo e militares continuam trocando farpas em relação ao que fazer com o passado ditatorial do País, um grupo de ex-ministros, juristas, advogados, militantes históricos e um ex-presidente da OAB começa a elaborar um plano concreto para propor a criação de uma Comissão de Verdade e Justiça para investigar o que ocorreu durante o regime militar no Brasil. Foi o que disse o exministro de Direitos Humanos do governo de Fernando Henrique Cardoso, Paulo Sérgio Pinheiro.

A meta do grupo não será a de criar a comissão em si, mas formular sua base e entregar a proposta oficialmente ao governo. "A comissão precisa ser estabelecida pelo governo. O que estamos fazendo é elaborar um plano de como deve funcionar. A democracia brasileira precisa finalmente se olhar no espelho", disse Pinheiro, que já foi o representante da ONU para a situação em Mianmar. Ele admite que ainda não há uma data para a conclusão dos trabalhos do grupo.

Uma das missões da comissão, que também já existiu em outros países, seria a de levantar a existência dos arquivos e estudar seu conteúdo. Ele rejeita a tese de militares de que não exista mais arquivos sobre os crimes cometidos durante a ditadura. "Isso é acreditar em Papai Noel e, se de fato os arquivos foram destruídos, precisa ser investigado quem os destruiu, por que e quando", alertou Pinheiro, que hoje preside um grupo de personalidades internacionais com o objetivo de propor uma reforma no sistema de direitos humanos no mundo.
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