Mota da Coopasa embolsava R$ 400 mil de topiqueiros, segundo a polícia



Larissa Lima

O delegado-titular da 74ª DP (Alcântara), Fábio Barucke, que também investiga a máfia de vans em São Gonçalo, afirmou ontem que cerca de 500 topiqueiros associados à cooperativa do vereador Edson da Silva Mota (PSL), o Mota da Coopasa, estariam sendo obrigados a pagar uma taxa semanal de R$ 200 para poder circular na cidade. Segundo o policial, graças ao "pedágio", o suposto bando liderado pelo parlamentar estaria arrecadando cerca de R$ 400 mil por mês.

"Quem se nega a pagar é ameaçado e pode ser até morto", afirmou Barucke.

Ainda segundo o delegado, nos próximos meses, Mota poderá ter a prisão renovada. Isso porque, disse Barucke, existem cinco inquéritos na distrital que investigam os crimes de extorsão, formação de quadrilha, homicídio, ameaça e atentado contra a liberdade de trabalho, todos supostamente cometidos por integrantes do grupo que seria liderado por ele.

Redução – Além disso, prossegue Barucke, um inquérito-mãe, que tramitava na 3ª Vara Criminal de São Gonçalo e está parado, pode voltar a ser trabalhado assim que terminar o mandato do vereador em São Gonçalo – em 31 de dezembro. Barucke explicou que, há dois anos, ele chegou a ser preso, mas acabou sendo solto por ter foro privilegiado, e o processo "parou".

"Notamos que as denúncias e reclamações sobre a máfia das vans diminuíram. Nós não sabemos se o fato foi conseqüência da prisão do bando em agosto ou se as testemunhas e vítimas dos crimes praticados por eles estão com medo de depor e sofrerem represálias", disse o delegado.

As escutas telefônicas, autorizadas pela Justiça e que estavam sendo investigadas por inspetores da 74ªDP, serviram de apoio para o trabalho realizado por agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), que deflagrou quarta-feira operação para cumprir 45 mandados de prisão e 60 de busca e apreensão. No total, 31 pessoas foram presas em São Gonçalo, Niterói, Rio de Janeiro, Angra dos Reis, Macaé, Maricá e Nilópolis.

Esquema – Para o delegado Fábio Barucke, Mota da Coopasa, mesmo preso, comandaria a suposta quadrilha com os filhos André e Edson de Abreu Mota. Os suspeitos teriam o comando de pelo menos 15 cooperativas de vans. A principal delas é Cooperativa de Transportes Santa Isabel (Coopasa). As marcas deixadas por esse grupo é de violência psicológica e coação, diz o policial.

A guerra pelos pontos de vans já teria feito pelo menos 50 vítimas no Estado do Rio em pouco mais de dois anos, afirma a Draco. Entre os principais crimes atribuídos aos presos está a execução de Maurício dos Santos Silva, em 11 de março, num restaurante de São Gonçalo. Ele era presidente de uma cooperativa de vans.

Em dezembro do ano passado, o diretor de uma cooperativa Róbson Queiroz foi morto a tiros em casa, no Alcântara. Em janeiro deste ano, Jorge Robson Rodrigues Batista foi assassinado em um bar. Segundo a polícia, ele seria dono de um ponto de vans. Em 16 de janeiro, o gerente da Copertraal foi assassinado em um bar de Alcântara.
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