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Há dois dias sem água, Hospital Pedro Segundo tem cirurgias canceladas

Um defeito na bomba que abastece a cisterna deixou uma das maiores unidades de saúde da região oeste do Rio sem água. O hospital cancelou cirurgias e reduziu os atendimenos.



A Secretaria de Saúde prometeu concluir o reparo nesta manhã, mas, durante a madrugada, os pacientes estavam preocupados com o risco de infecções.

Era muito pouca água despejada, e muito trabalho para espalhar por todo o piso. A limpeza foi retomada aos poucos, pelo menos, na entrada do Hospital. Durante a noite, um caminhão pipa abasteceu o Pedro II, em Santa Cruz. Mas não foi o suficiente pra tranqüilizar quem procurou pela unidade de saúde.

“Eu estou com medo de ficar aqui e de pegar uma infecção em mim e no neném”, afirma a dona de casa Angélica de Paula Virgílio.

O Hospital começou a ficar sem água no domingo, quando a bomba que controla a cisterna quebrou. Segundo o o aposentado Irani Barbosa Saldanha isso impediu que o parto da mulher fosse realizado. Ansioso ele já esperava há mais de 20 horas.

“A minha esposa deu entrada ontem à meia-noite e está no preparo de parto. Disseram para mim que não tem água. Não tão fazendo parto, não tão fazendo nada. Ela está passando muito mal, com dores profundas. Nós não podemos fazer nada. Eu que sou pai não posso subir”, conta o aposentado Irani Barbosa Saldanha.

Muitos pacientes que tinham marcado, com antecedência, cirurgias eletivas para ontem tiveram que voltar pra casa. Os médicos cancelaram todos os procedimentos, que não fossem de emergência.

Até a comida servida para os pacientes teve que ser improvisada, por causa da falta d’água. Segundo os funcionários, os banhos chegaram a ser suspensos. “É uma calamidade. A gente fica com medo de risco de infecção. Porque o estado em que eles estão ali é um estado de calamidade, com os pacientes no corredor e sem água”, diz a balconista Ludicéia Vieira.

“Eles estão sem tomar banho e sem escovar os dentes. Eles foram escovar o dente no banheiro e não tinha água. Eles foram dar descarga e não tinha água. Então para mim, isto é um absurdo. Está um absurdo este hospital”, a empregada doméstica Lidiane de Araújo.

A família de outra paciente precisou trazer roupa de cama de casa e ainda teve que arrastar uma maca que estava na recepção, para substituir a que ela estava deitada pra garantir um pouco mais de conforto, na Emergência.

“Ela estava em uma maca lisa e branca. Inclusive, eles ligaram para a gente para trazer coberta. Está muito dura. A gente pegou uma outra que estava no corredor e levou lá”, conta uma senhora.

O músico Marcelo Matos deixou o Hospital indignado. Já era a segunda tentativa de um exame para identificar um problema respiratório. Ele não conseguiu a radiografia.

A direção do hospital informou que a mulher do aposentado Irani Barbosa Saldanha e estava grávida teve o neném de madrugada. Mãe e bebê passam bem.

Já a Secretaria Estadual de Saúde reafirmou que o fornecimento de água estará normalizado nesta manhã e informou que as cirurgias eletivas suspensas foram reagendadas.
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