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Trem-bala vai parar no aeroporto

Ferrovia de alta velocidade entre o Rio e São Paulo terá estação no Tom Jobim



Fernanda Pontes

Mais de dez traçados estão sendo analisados por especialistas em transporte para a construção da linha de trem-bala entre Rio e São Paulo. Se o estudo de viabilidade ainda aponta dúvidas em relação ao melhor percurso, duas alternativas já foram dadas como certas: a saída da estação Barão de Mauá (Leopoldina) e a parada no Aeroporto Internacional Tom Jobim. Dessa forma, segundo o governo do estado, turistas que visitarem a cidade, principalmente no caso de o Rio sediar as Olimpíadas em 2016, também poderiam se beneficiar com o trem rápido, sem correr riscos nos constantes assaltos na saída do aeroporto. A novidade foi bem recebida pela Infraero e entidades de turismo.

Como informou Flávia Oliveira, ontem, na coluna Negócios & Cia, do GLOBO, os técnicos da Halcrow Group - empresa que lidera o consórcio encarregado do estudo de viabilidade do trem-bala - se reuniram ontem no BNDES com representantes dos municípios da Baixada Fluminense para discutir eventuais restrições físicas, ambientais e sociais de cada uma das cidades em relação ao projeto. Hoje, haverá uma nova reunião, desta vez com representantes de cidades fluminenses do Vale do Paraíba, onde ficará a outra estação intermediária, antes da chegada do trem-bala a São Paulo. As mais cotadas são Resende, Volta Redonda e Porto Real.

Programa tem tecnologia de ponta

O secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, está otimista em relação aos estudos do projeto. Para buscar o melhor traçado, especialistas estão utilizando tecnologia de ponta, que também foi usada na implantação do estações do metrô de Londres:

- O programa mostra questões geográficas, topográficas e sociais da cidade, calculando todas as alternativas possíveis. Ele já foi usado no metrô em Londres, onde foram empregados 70 bilhões de libras - explica Júlio Lopes.

De acordo com os estudos, a melhor saída do trem-bala é a estação da Leopoldina, desativada há mais de cinco anos. A alternativa da Central do Brasil, que vinha sendo cotada para receber o empreendimento, foi descartada porque já opera com grande quantidade de passageiros.

Saindo da Leopoldina, toda a área do entorno passaria por um grande processo de revitalização:

- A vantagem é que temos uma área no entorno da estação até o Maracanã e a Quinta da Boa Vista, de mais de onze milhões de metros quadrados de terrenos públicos de estado, prefeitura e União, o que facilitaria a revitalização da área e a construção de novos empreendimentos - explica o secretário de Transportes.

O trajeto ainda está sendo discutido com outros municípios dos estados do Rio e de São Paulo. A previsão é construir estações intermediárias que ficariam na área de Volta Redonda, no Rio, e em São José dos Campos, em São Paulo. O trem-bala também faria uma parada no Aeroporto de Guarulhos. O maior obstáculo encontrado é a Serra das Araras, devido a seu aclive.

De acordo com o governo do estado, o trem-bala custará cerca de US$18 bilhões. O trajeto entre Rio e São Paulo seria feito em uma hora e 25 minutos, e a passagem custaria entre R$130 e R$150.

Cada trem tem capacidade para mil passageiros.
Até o momento, uma das maiores apostas do secretário Júlio Lopes em relação ao empreendimento é a parada no Aeroporto Tom Jobim:

- Mesmo que todo o traçado do trem-bala não fique pronto a tempo para as Olimpíadas, podemos concluir o trajeto até o Galeão antes desse prazo - disse.

A notícia sobre possibilidade de o Tom Jobim receber uma estação do trem-bala foi bem recebida pela Infraero, que aposta na integração do aeroporto com um transporte de massa de qualidade. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RJ), Alfredo Lopes, acredita que a iniciativa será ótima para o turismo.

- Isso seria maravilhoso. A cidade precisa de um transporte como este, o que livraria os turistas do trânsito caótico. O Rio também ficaria habilitado para receber turistas que vão para São Paulo, mas que gostariam de passar um dia na cidade - afirmou o presidente da ABIH-RJ.

Em nota, o BNDES informou que considerou o encontro de ontem muito positivo e que, posteriormente e ainda sem data definida, haverá novas reuniões com autoridades dos municípios de São Paulo potencialmente afetados pelo projeto.

Júlio Lopes também aproveitou para elogiar a parceria do estado com o BNDES:

- Os coordenadores estão realizando um excelente trabalho e têm sido bacanas com o estado.
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