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Comissão: 'Cimento' teve objetivo eleitoral

Conclusão é de um relatório do grupo de trabalho da Câmara sobre uso do Exército

Catarina Alencastro

BRASÍLIA. Um grupo de trabalho da Comissão de Segurança Pública da Câmara concluiu que houve "desvio de finalidade" no emprego das Forças Armadas nas obras do programa Cimento Social no Morro da Providência, no Rio. O relatório, assinado pelo deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), diz que a emenda parlamentar do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) com recursos para a obra teve por finalidade "o uso eleitoral".

- O objetivo dos militares que estavam lá era a segurança orgânica das obras. Foram lá para isso.

O emprego das Forças Armadas ocorreu com desvio de finalidade. A emenda parlamentar do senador Crivella foi feita com finalidade de uso eleitoral - disse Biscaia, antecipando o relatório que apresenta hoje na Comissão de Segurança. Ele integra a campanha de Alessandro Molon (PT), adversário de Crivella na disputa pela prefeitura do Rio.

Segundo Biscaia, a única coisa que amparava o envio das tropas para o morro era um convênio entre uma secretaria do Ministério das Cidades e o Ministério do Exército.

- Um efetivo militar só deveria ser deslocado para uma cidade por solicitação do governador, no caso de perda do controle da segurança - disse.

Uma comitiva de deputados esteve no Rio entre 10 e 11 de julho para apurar a morte de três jovens, no Morro da Providência, que teriam sido entregues por militares a traficantes do morro rival, o da Mineira.

Sobre o relatório, Crivella disse por meio de sua assessoria:

- Este assunto está sendo tratado pela Advocacia Geral da União. Vamos aguardar uma posição da AGU para nos manifestarmos.

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