Suborno de US$ 1 milhão

Representantes de Dantas pagaram R$ 129 mil adiantados a policiais em troca de favorecimento



Tiana Ellwanger, Maria Mazzei, Mahomed Saigg e Luciene Braga

Rio - A decisão do juiz Fausto Martins de Sanctis atribuiu a Daniel Valente Dantas, Humberto José da Rocha Braz e Hugo Chicaroni a tentativa de corrupção do delegado da Polícia Federal Vítor Hugo Rodrigues Alves Pereira, que integrava a equipe da Operação Satiagraha. Após publicação de reportagem que mencionava a investigação, eles teriam oferecido US$ 1 milhão para terem os nomes de Dantas, sua irmã, Verônica Dantas (sócia de mais 150 empresas do grupo), e o ex-marido dela, Carlos Rodemburgo, retirados do processo.

A Justiça autorizou a PF a manter as negociações. O valor de R$ 1,3 milhão apreendido na casa de Chicaroni teria como destino o pagamento dessa propina. Humberto Braz, o “Guga”, teve ligação telefônica interceptada pela investigação, em que dizia: “Quem tá responsável é esse Protógenes mesmo...”, em clara referência ao delegado Protógenes Queiroz, coordenador da operação.

Hugo teria acertado com uma das autoridades policiais o pagamento. A primeira parcela foi de R$ 50 mil. Em 19 de junho, ele teria prometido mais US$ 500 mil para retirar os nomes de Dantas, de sua irmão e de seu filho. O encontro foi no restaurante El Tranvia.

De acordo com o policial, Hugo informou que só precisaria de apoio na primeira instância porque “no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal ele resolveria tudo ‘com facilidade’”. Para conseguir reforçar a prova de corrupção ativa, os policiais foram até o apartamento de Hugo e receberam 10 pacotes de R$ 5 mil. O dinheiro foi antecipado, com a condição de apresentação de provas da investigação, as “fichas do alvo”, segundo a decisão. A conversa foi gravada, assim como a entrega do dinheiro foi em frente às câmeras do prédio, para que fosse captada pelo circuito interno.

O policial relata um segundo encontro, dessa vez, na presença de Humberto Braz. Na reunião, eles propuseram US$ 1 milhão, em duas parcelas, para abafar a participação de outras pessoas. Em 26 de junho, Hugo pagou mais R$ 79 mil. Eles ainda insinuaram uma investigação futura contra Luiz Roberto Demarco — rival de Dantas.

Em diálogo interceptado pelos investigadores, Naji Nahas teria sugerido compra de ações ao doleiro Miguel Jurno Neto, que teria alertado para a baixa dos papéis. Nahas ordenou que ele fizesse o que ele mandava, “sem comentar nada”. Dias depois, o diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP) anunciava descoberta recente de reserva de petróleo gigante na Bacia de Santos. As ações da Petrobras tiveram forte alta em 14 de abril.

Postar um comentário

Postagens mais visitadas