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Lula cobra permanência de delegado no Caso Dantas

Contrariado com a repercussão negativa da queda de Protógenes Queiroz, o presidente disse ontem que o responsável pelo comando das investigações do caso Dantas tem de ficar até o fim



Insatisfeito com a repercussão política da queda de Protógenes Queiroz do comando da Operação Satiagraha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu e cobrou ontem do delegado da Polícia Federal uma definição sobre se quer ou não continuar nas investigações do caso que apura uma rede de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

- Moralmente, esse cidadão tem de ficar no caso até terminar esse relatório e entregar ao Ministério Público, a não ser que ele não queira. Vender insinuações para a sociedade é que não é correto, nem para um presidente da República nem para um delegado da Polícia Federal - afirmou.

Apesar da reação, a cúpula do governo não queria que Protógenes continuasse à frente da segunda fase das investigações. A PF pressionou pela saída dele do caso. A idéia era que ele encerrasse a fase atual e, depois, fosse removido do inquérito. Só que o delegado precipitou sua saída e divulgou reservadamente que foi afastado por pressão política.

Saída de delegado foi decidida em reunião na segunda-feira

Lula classificou essa versão como uma mentira. Em tom irritado, afirmou que a reunião entre integrantes da PF em São Paulo, segunda-feira, que motivou a saída dos três delegados, foi gravada com o consentimento de todos os participantes. No encontro, declarou Lula, Protógenes teria dito que precisava sair das investigações ou então que, se continuasse, só poderia trabalhar no caso nos finais de semana. Lula chamou de "atuação de má-fé vender a idéia de que não quis deixar o caso mas foi obrigado a isso. Para o presidente, Protógenes só não voltará à Operação Satiagraha se disser expressamente que não quer:

- Pedir para sair e depois vender a idéia de que foi afastado é, no mínimo, uma atuação de má-fé.

Lula disse que a operação que levou às prisões do banqueiro Daniel Dantas, do ex-prefeito Celso Pitta e do investidor Naji Nahas tem de ser tratada com responsabilidade:

- É um processo sério, envolveu gente, as pessoas foram para a TV. Então é preciso que tenha logo relatório definido para que se peça ou não o indiciamento dessas pessoas.

Segundo o ministro da Justiça, Tarso Genro, as pessoas que classificam a saída de Protógenes como uma operação-abafa do governo vão mudar de opinião:

- O delegado só não ficou fazendo o inquérito porque não quis. Ele manifestou, de maneira frontal, em diálogo com seus superiores, a sua vontade de sair.

A atuação de Protógenes havia sido classificada de "brilhante por Tarso, apesar de ele considerar que ocorreram equívocos na condução dos trabalhos. Sua saída do caso foi decidida na noite de segunda-feira durante reunião na Superintendência da PF em São Paulo.

Além de Protógenes, Karina Souza e Carlos Pellegrini foram os outros dois delegados que decidiram se afastar das investigações.
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