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VARIG e DETRAN: um paralelo necessário


Darcy Francisco Carvalho dos Santos*

A imprensa, sob suas mais diversas modalidades, tem noticiado diariamente os desfalques ocorridos no Detran, cumprindo sua obrigação de informar. O que é salutar e que só é possível numa sociedade democrática.

Toda corrupção deve ser denunciada e seus responsáveis devem ser processados e julgados na forma da lei. Os recursos de que o governo se utiliza são do povo e só em seu benefício podem ser utilizados. Dito isso, passemos ao paralelo pretendido.

As manifestações políticas têm sido no sentido de atribuir ao atual governo a responsabilidade pelo desfalque estimado em R$ 44 milhões no órgão referido, quando se sabe que começou no governo anterior, que, diga-se de passagem, não o evitou, por desconhecer sua ocorrência, a exemplo do governo atual.

Contraditoriamente, enquanto se faz uma carga tão grande contra a governadora, inclusive com solicitação de seu impedimento, por um caso que não foi originado em seu governo, há um enorme silêncio no caso da venda da Varig, um dos casos mais escabrosos dos últimos tempos.

Os órgãos de imprensa do centro do país têm noticiado que a Varig foi comprada por US$ 24 milhões e vendida em menos de um ano depois por US$ 320 milhões. Até hoje, não se sabe por que não houve a opção pela proposta de maior preço, de US$ 718 milhões.

A ex-diretora da ANAC informou no Senado que recebeu pressões do governo federal e do famoso compadre do presidente, então advogado da parte interessada, para mudar o parecer da agência, com vistas a viabilizar a operação. Com sua influência foi possível vendê-la ao comprador estrangeiro e tornar a empresa livre de dívidas, que só com a União Federal atingiam R$ 2 bilhões! Isso representou mais de 27 vezes o desfalque do Detran, com apenas um canetaço!

Pela mesma influência, foi possível livrar a Varig do pagamento das obrigações trabalhistas, num total R$ 2,3 bilhões para o fundo de pensão dos servidores! O resultado disso tudo foi o aviltamento total dos benefícios previdenciários, no momento em que deles os funcionários mais necessitavam, porque mais de 9 mil perderam seus empregos.

Embora um erro não justifique outro, serve de medida para nossa indignação, por ver tamanha grita contra um fato grave, sim, mas imensamente menor do que outro sobre o qual, conforme referido, há um silêncio sepulcral.

*Contador e economista
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