Javari registra 19 mortes de índios em seis meses


Antonio Ximenes

Nos primeiros seis meses do ano morreram 19 indígenas no Vale do Javari. A mortalidade atinge, preferencialmente, as crianças. Mesmo com a realização de uma força-tarefa das forças armadas e da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) na reserva - de maio a junho -, a saúde da população local continua fragilizada.

Uma comitiva liderada pelo superintendente interino da Funasa do Amazonas, Narciso Barbosa, vai conversar hoje com as lideranças rebeladas que ocupam a sede do escritório da instituição, na cidade de Atalaia do Norte.

Não dá para ficar esperando que morra mais gente do nosso povo. Se não forem dadas as condições para salvar as nossas crianças não sairemos daqui da Funasa”, disse Jorge Marubo, presidente do Conselho de Saúde Indígena do Vale do Javari.

Narciso Barbosa, de sua parte, apresenta uma proposta de renovação da gestão do Distrito Sanitário Especial Indígena (Disei/Javari), onde as decisões seriam tomadas por meio de um colegiado constituído pelas lideranças indígenas e pelo novo administrador da área.

Inicialmente, temos R$ 700 mil para a saúde da reserva. Mas esses recursos podem aumentar porque temos que tratar dos pacientes doentes com hepatite B e D, que serão atendidos em Tabatinga.

Eles usam medicamentos caros, de mais de R$ 600 cada dose, e têm que ficar, no mínimo, um ano internados com acompanhamento médico intensivo”, comentou Barbosa.

As mortes na reserva aconteceram por diversas causas, dentre elas: desidratação; malária; pneumonia; parada cardiorrespiratória; anomalia congênita; infecção do soro amiótico; choque séptico; insuficiência renal; diarréia aguda; insuficiência respiratória; e dois suicídios. Desatar o nó da insatisfação coletiva dos índios do Vale do Javari em relação à Funasa e o Governo Federal, como um todo, é uma tarefa complexa.
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