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Coren é interditado por suspeita de irregularidades



O Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul (Coren) foi interditado ontem sob suspeita de irregularidades. Além disso, toda a direção da instituição foi afastada. A operação foi realizada pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), com o apoio do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF), para investigar possíveis irregularidades que ocorreriam desde 2005 na instituição gaúcha. Existe a suspeita de desvio de verbas, contratações sem licitação, problemas em processos de compras e também em relação à sucessão da diretoria.

O conselho, localizado na avenida Plínio Brasil Milano, no bairro Higienópolis, na Zona Norte de Porto Alegre, ficará fechado por sete dias para investigações. Uma junta interventora, formada por 14 pessoas, foi nomeada e deverá fazer uma auditoria na entidade nos próximos cinco meses. Altamir Felix é o novo presidente interino do conselho. Ele ficará no cargo até outubro, quando serão realizadas novas eleições. A presidente Maria da Graça Piva foi afastada do comando da instituição.

A presidente da Associação Brasileira de Enfermagem, Maria Goretti David Lopes, disse que uma operação semelhante à ocorrida ontem na Capital aconteceu em Sergipe e no Rio de Janeiro. Segundo ela, os trabalhos de averiguação ocorrem desde 2005, quando a Operação Predador da Polícia Federal descobriu o desvio de mais de R$ 50 milhões do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), que resultou na prisão do ex-presidente da entidade, Gilberto Linhares Teixeira. Na ocasião e nas operações seguintes, a PF descobriu que as fraudes teriam se estendido também para os estados.

O processo de eleição da nova diretoria do Coren também está sob suspeita. "As entidades de classe que representam os enfermeiros, auxiliares e técnicos em enfermagem querem ter certeza da lisura do processo de eleição, que estava marcado para o dia 4 de junho e que será transferido", destaca.

De acordo com Maria Goretti, a intervenção no conselho gaúcho quer também dar total transparência ao processo democrático de escolha da nova direção. Ela fez um alerta para que os profissionais aguardem a definição da nova data do processo eleitoral.

O Cofen arrecada cerca de R$ 76 milhões por ano, proveniente dos conselhos regionais, que repassam 25% de tudo o que recebem. "Um milhão de trabalhadores pagam compulsoriamente a contribuição que, ao invés de ser investida no desenvolvimento da profissão, foi aplicada de outra forma", acrescenta.
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