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Vítima pede proteção ao MP

Primeira a denunciar as fraudes no auxílio-educação da Alerj, doméstica quer garantias de vida



Rio - Pivô do escândalo de contrações de funcionários fantasmas na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), que culminou com a cassação do mandato das ex-deputadas Jane Cozzolino (PTC) e Renata do Posto (PTB), a doméstica Cira Maria de Araújo Costa, 46 anos, esteve ontem no Ministério Público (MP), onde pediu garantias de vida. Acompanhada pelo marido, o aposentado Ezequías José Maria, e por um de seus sete filhos, Cira, que mora em Guapimirim, revelou estar com medo de que “algo de muito ruim” aconteça a ela e à sua família.

“Desde que estive lá naquela delegacia (Defraudações) nunca mais tive sossego. Quinta-feira mesmo tive que dormir fora de casa porque uns conhecidos me avisaram que havia dois homens estranhos, andando com um jornal com a minha foto nas mãos, e perguntando pra todo mundo na rua se sabiam onde eu morava. Isso me deixou muito preocupada”, desabafou a doméstica, após prestar depoimento na Assessoria de Feitos Originários Criminais, da Procuradoria-Geral de Justiça do MP, no Centro.

Nomeada sem saber no gabinete do deputado João Peixoto (PSDC), ela fez questão de ir assistir à sessão de votação das cassações, no plenário da Alerj, dia 1º. João Peixoto foi absolvido, e Cira ainda ficou com o nome sujo na praça por causa do golpe. Integrantes da quadrilha especializada em fraudar o auxílio-educação da Alerj chegaram a fazer empréstimos de mais de R$ 20 mil em nome dela.

CARTÃO CANCELADO

O esquema só foi descoberto depois que Cira, o marido, e outras duas vítimas estiveram na Delegacia de Defraudações (DDEF) e denunciaram o golpe. A coragem para o ato, porém, só veio depois que Ezequías foi espancado por três homens que seriam ligados à ex-deputada Renata do Posto.

Segundo Cira, os aliciadores teriam se revoltado com o fato de ela ter cancelado o cartão do banco que ficara com os aliciadores. Com o cartão, os golpistas faziam saques da conta-salário aberta em nome da doméstica.

Procurado por O DIA, o procurador-geral de Justiça, Marfan Martins Vieira, informou que o órgão está perto de concluir as investigações sobre o caso. Questionado sobre a possibilidade de pedir a prisão dos parlamentares e servidores denunciados pelas vítimas, ele foi taxativo: “Se concluirmos que cometeram crime, por que não?”.

Picciani será testemunha de defesa no conselho

O deputado João Pedro (DEM) apresentou o presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB), como sua única testemunha de defesa no processo que apura sua suposta participação no esquema de desvio no auxílio-educação. Picciani havia confirmado que iria depor no Conselho de Ética hoje, às 10h, mas pode faltar por motivos de saúde.

Hoje, João Pedro e o deputado licenciado Marcelino d’Almeida (DEM) depõem no conselho. Está prevista uma acareação entre os dois parlamentares. Titular e suplente do DEM na Alerj, os dois se acusam pelas nomeações, reveladas por O DIA, de ‘fantasmas’ no gabinete que era de Marcelino e que passou para João Pedro.

Ontem, Nilton Salomão (PMDB) e Iranildo Campos (PTB) assumiram as vagas de Jane Cozzolino (PTC) e Renata do Posto (PTB), cassadas na semana passada.

AMEAÇAS EM DUQUE DE CAXIAS E MAGÉ

As ameaças às vítimas do golpe começaram logo após a descoberta das fraudes no auxílio-educação da Alerj. Com o objetivo de impedir que elas contassem a verdade no Conselho de Ética da Alerj e também no Ministério Público, aliciadores ligados aos parlamentares envolvidos tentavam, a todo o custo, calar as vítimas.

As ameaças foram denunciadas com exclusividade por O DIA que, em 29 de fevereiro, flagrou o momento em que uma das vítimas, a dona-de-casa Rosangela Maria de Castro, 47 anos, era ameaçada por aliciadores. Mãe de 10 filhos e moradora de Duque de Caxias, Rosangela havia sido nomeada no gabinete do deputado Tucalo Dias (PSC), absolvido pelos colegas na Alerj.

Doze dias depois, O DIA flagrou outro aliciador ameaçando parente de vítima, em Mauá, distrito de Magé.
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