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A progressiva inversão de valores



Sempre existiu no Brasil um enorme processo de inversão de valores, porém ele nunca foi tão profundo como agora. Na expressão política, o Poder Executivo é tomado de assalto por uma horda de pessoas incompetentes, na sua maioria sem qualificação para exercer as funções para as quais foram impostas, em virtude de injunções políticas.

O presidente de direito demonstra sua inaptidão para assumir as responsabilidades do cargo. Somente gosta de viajar, em especial pelo exterior, com vastas comitivas, cometendo as gafes de sempre, fazendo questão de realçar, com orgulho, que chegou ao mais elevado posto da República, sem necessidade de estudo.

De fato, passou a maior parte de sua existência sem estudar e sem trabalhar. Trata-se de um péssimo exemplo para a juventude, que antes acreditava na possibilidade de ascensão social vertical, através da educação. O presidente executa seu poder autoritariamente, controlando ditatorialmente não só seus ministros subordinados, como os outros Poderes, em especial o Legislativo.

Este "Poder" passou a ser um mero departamento homologador das decisões emanadas do exterior e do Executivo. Passa tudo aquilo enviado, sem a menor alteração para melhor. É vergonhoso o triste espetáculo da infidelidade, com a abominável troca de agremiação partidária pelos políticos profissionais. Traem uns aos outros, sem a mínima cerimônia.

O povo clama nas ruas por um plebiscito/referendo sobre a redução da maioridade penal, pelo agravamento das penalidades para crimes hediondos e os "donos do Brasil" ignoram. Eles detestam o povo enquanto agente de transformação social. Querem-no como massa de manobra, manipulado pela mídia, a serviço de interesses escusos.

O triste espetáculo da criação de uma CPI para investigar gastos imorais com cartões corporativos passa a ser motivo de ridículo e de chacota pela população. Ninguém acredita que as infrações sejam apuradas e os criminosos apenados.

A própria administração Lula adota a iniciativa de comandá-la, indicando seu relator e seu presidente, com ampla maioria de votos na comissão. A "oposição" mendiga o cargo de presidente da CPI e acordos são fechados, com o objetivo de nada apurar. É invocada até a Segurança Nacional, logo ela, tão desprezada pelos atuais detentores do poder político, como desculpa para que não sejam divulgados os gastos com o presidente e sua família.

Valores absurdos são gastos sem a devida comprovação. Abrange desde a tapioca até o botox. A CPI das ONGs começa a encerrar melancolicamente seus trabalhos, sem nada apurar. Estão brincando com a paciência do cidadão. O Poder Judiciário, ainda relativamente independente, é atacado por todos os lados e recebe um "controle externo". Mais da metade de seus quadros superiores já foi nomeada pelo atual presidente.

Até a Universidade é conspurcada. Na esfera pública, proliferam as "fundações", criadas com o objetivo de permitir a transferência de recursos vultosos do setor público para apaniguados do sistema, de professores a prefeitos, por intermédio de dispensa de licitações dirigidas, a exemplo das transações havidas entre a Finatec e a Universidade Federal de Brasília.

Pagam de mobiliário milionário do apartamento do reitor até a compra de carros de luxo, além, é óbvio, de irrigação de verbas milionárias a consultores (professores) e prefeitos de um partido escolhido.

Na esfera privada, existem empresas mercantis, que ignoram as obrigações trabalhistas, previdenciárias e morais, abastecidas pelos infindáveis recursos do Prouni e de assemelhados. Mandam os professores embora, sem cumprir suas obrigações legais. Quando é reclamado, mandam recorrer à Justiça, pois sabem que esta é lenta. Muito lenta.

Usando seu poder político, as mantenedoras forçaram até a criação de uma espécie de central de execuções, objetivando postergar os pagamentos devidos, a pretexto de preservar sua sobrevivência financeira.

É uma piada! Este país precisa voltar a ser sério. Os compromissos morais e éticos devem ser cumpridos. O povo deve ser respeitado e não humilhado pelos detentores do poder político. As denominadas entidades defensoras dos direitos humanos destacam-se em proteger monstros estupradores, assassinos, assaltantes, enquanto a polícia é acuada pelos marginais.

Bandidos de alta periculosidade comandam o crime organizado de dentro de presídios de segurança máxima, comandam rebeliões sangrentas, matam agentes penitenciários, saem quando querem e são protegidos por autoridades governamentais.

A nossa juventude é contaminada através de meios de comunicação de massa difusores de perversões sexuais, de apologia ao crime e da descriminalização das drogas. O certo passa a ser ridicularizado e o errado é glorificado. Drogados são incensados, até em novelas e programas populares das redes de TV, em especial do "império do mal".

A pederastia, antes classificada como doença na NIDCM, deixou de ser, em função da pressão do lobby dos homossexuais. Passa a ser incentivada e estimulada. Amanhã, poderá ser compulsória, com aprovação simbólica pelo Congresso. A decadência moral acentua-se.

A educação em geral, tanto básica, quanto média e superior, é destruída progressivamente. O ensino público é sucateado e o ensino privado torna-se um balcão de negócios. A saúde é abandonada, o saneamento ignorado. A insegurança predomina. E a carga tributária aumenta. A impunidade torna-se a principal marca da administração Lula. A esperança desaparece.

O país do futuro passa a ser a esperança não concretizada do passado. As pessoas de bem, que podem, passam a sair do Rio de Janeiro e do Brasil. A princípio nada é divulgado. Agora, é difundida a notícia de que um dos irmãos do prefeito assassinado Celso Daniel, do PT, pediu asilo político à França, com sua família, em virtude de ter sido ameaçado de morte, por causa de sua insistência em tentar elucidar a morte de seu irmão.

É preciso que todos cumpram seu dever, cada um em sua esfera de atuação. A Constituição Federal estipula claramente os deveres de cada Instituição. É urgente que seus dispositivos sejam cumpridos, pois, a qualquer momento, não haverá mais possibilidade de retorno à normalidade.

Estaremos em plena barbárie.

Marcos Coimbra
Membro efetivo do Conselho Diretor do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos (Cebres),
professor aposentado de Economia na Uerj e conselheiro da ESG.
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