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Fragilizado pelas acusações contra o filho, senador tomará posse


Gerson Camarotti e Cristiane Jungblut

BRASÍLIA. Depois de passar pelo constrangimento de ter sua audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adiada, e depois remarcada por pressão do PMDB, o senador Edison Lobão (PMDB/MA) foi confirmado ontem à noite como o novo ministro de Minas e Energia. Ele tomará posse segundafeira, substituindo Nelson Hubner, que ocupava interinamente o cargo desde maio, quando outro indicado do PMDB para o cargo, Silas Rondeau, saiu sob suspeita de irregularidades.

Lobão chega ao cargo fragilizado pelas denúncias de que seu filho e suplente, Edison Lobão Filho (DEM), teria usado uma empregada doméstica como laranja para ocultar do Fisco dívidas de uma distribuidora de bebidas, da qual foi sócio.

A avaliação política no governo é que a situação de Lobão pode ajudar o Planalto, especialmente a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a manter o controle do setor elétrico - no momento em que o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman, admitiu a necessidade de um plano de racionamento de energia, caso continue a chover pouco até o fim de abril. Enfraquecido pelo telhado de vidro da família, Lobão perde força para brigar por mais cargos no segundo escalão e nas estatais.

O cancelamento de última hora da reunião com Lobão explicitou a estratégia do próprio Lula de enfraquecer o poder do novo ministro. Lula chegou a anunciar o adiamento do encontro para hoje, alegando que estava muito cansado da viagem a Cuba.

- Estava pronto para ir ao Planalto, quando recebi o recado do cancelamento da audiência. Lula estava cansado e com a agenda cheia. Depois fui chamado novamente - disse Lobão, antes de ir para o Planalto.

O próprio Lobão se anunciou como ministro, após ficar pouco mais de meia hora com Lula. Na entrevista, perguntado se terá carta-branca para nomear, afirmou que suas decisões serão tomadas com o presidente Lula e com o ministro das Relações Institucionais, José Múcio.

- Os cargos nas estatais serão decididos a seu tempo e não de afogadilho. Fui indicado pelo PMDB e o partido será ouvido naquilo que for compatível. Quando tiver que fazer (nomeações), farei, mas com o presidente e com o José Múcio. A ministra Dilma Rousseff disse que jamais teve qualquer resistência a meu nome, que tem apreço por mim e sabe que terei um desempenho responsável no ministério - disse Lobão.

No encontro com Lula, Lobão se queixou dos ataques ao filho, dizendo que se sente arrasado como pai.

- Meu filho é absolutamente inocente, e deve assumir. Mas deve se licenciar, se for conveniente.

Essa é uma hipótese. Ele deseja se defender fora do Senado. Tem 60 dias para assumir e estamos examinando isso.

"Graças a Deus está chovendo", disse Lobão Após a audiência, Edison Lobão se encontrou com Dilma Rousseff para estabelecer um procedimento de convivência. Soube que Hubner não pretende voltar ao cargo de secretário-executivo, como queria o governo. Indagado sobre o risco de racionamento de energia, o novo ministro apelou a Deus:

- Graças a Deus está chovendo. Não há perigo de apagão ou de racionamento.

Ao lado de Lobão, Múcio disse que ele terá liberdade de nomear e negou resistências.

- Há respeito pela trajetória dele. Lobão tem carta-branca para as indicações, mas todas as indicações passam pelo presidente da República. Mas, hábil como Lobão é, num ministério técnico, ele estará sempre pautado pelo bom funcionamento - disse Múcio, frisando que ministério algum tem perfil de "porteira fechada" e que as "coisas serão combinadas": - Foi um dia de vitória para a base.

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