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Promotor diz que Hospital das Clínicas não tinha plano para incêndio


ROGÉRIO PAGNAN
EVANDRO SPINELLI
CLÁUDIA COLLUCCI

O promotor Reynaldo Mapelli Júnior disse ontem que o Hospital das Clínicas, autarquia vinculada ao governo José Serra (PSDB), não tinha um plano de emergência para enfrentar incidentes como o incêndio da noite de Natal, que só não acabou em tragédia graças ao "heroísmo de profissionais".

Para ele, ao invés de seguir um plano de desocupação previamente estabelecido, do qual deveria prever como e para onde os pacientes deveriam ser conduzidos, a desocupação foi feita de improviso.

"[O incêndio] Desnudou uma falha que, felizmente, por um ato de heroísmo das pessoas que estavam lá, não gerou uma tragédia maior", disse ele, que participa do Grupo de Atuação Especial da Saúde Pública e que, ontem, esteve reunido com a superintendência do HC.

Mapelli Júnior disse ainda que o episódio do HC também demonstrou que São Paulo não tem um planejamento para grandes emergências. O Estado não teria como atender, por exemplo, as vítimas do acidente da TAM em Congonhas, se elas tivessem sobrevivido.

Um exemplo disso, afirma o promotor, é que até ontem o HC não havia definido para onde mandar seus pacientes. Isso só deve ocorrer hoje.

Mapelli Júnior e a promotora Anna Trotta Yaryd investigam o incidente e acompanham os pacientes. Também querem saber se houve negligência da direção do hospital.

Um exemplo é o adiamento da obra de reforma da subestação de energia do subsolo do Prédio dos Ambulatórios, onde começou o incêndio. Conforme a Folha revelou ontem, a obra estava prevista desde 2005, mas não foi realizada.

Outra dúvida é saber se o hospital tem alvará de funcionamento expedido pelo Corpo de Bombeiros. Há dois dias a Folha procura a corporação, mas não obtém resposta.

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