Deputado denunciado por chefiar milícia acusa delegado e agente de planejarem sua morte


Maria Inez Magalhães e Adriana Cruz

Rio - Denunciado por formação de quadrilha pelo Ministério Público, o deputado estadual Natalino José Guimarães (DEM) rompeu ontem o silêncio. Ele acusa a Polícia Civil de ter deflagrado duas operações em Campo Grande na semana passada em represália às denúncias de corrupção que havia feito contra o delegado titular da Polinter, Herald Espínola, e o inspetor Robson, chefe de investigação da unidade.

“Ele é o braço-direito do Espínola. Nas carceragens da Polinter existe um esquema de extorsão”, disparou Natalino, citando como exemplo a unidade do Grajaú. Segundo ele, famílias de presos pagam R$ 20 pela visita. Detentos gastariam R$ 500 por semana em troca de regalias na prisão. “Quem paga tem frigobar e TV. Quem pega o dinheiro para levar para Espínola é o Robson, o homem da mala”, acusou.

Quarta-feira, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) deflagrou a Operação Latifúndio. Irmão de Natalino, o vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho (PMDB), foi preso. A dupla é acusada de chefiar a milícia Liga da Justiça. Mais nove foram denunciados — seis estão foragidos. “Essas acusações são falsas”, reagiu Natalino.

O deputado disse ainda que Espínola e Robson simulariam um auto de resistência (morte em confronto) contra ele e o irmão. Embora tenha recebido informações de que o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, soubesse do plano, ele o isentou de envolvimento.

Para Natalino, o estopim da investigação foi a acusação contra agentes da Polinter em outubro na Alerj. A queda-de-braço começou com pedido de transferência de André Luiz da Silva Malvar, genro de Jerominho, do Grajaú para Campo Grande. Como Espínola era contra a solicitação, a polícia descobriu que o grupo de Jerominho teria tramado sua morte.

Ameaças foram feitas a agentes da Delegacia de Homicídios da Zona Oeste que investigaram a morte do inspetor Félix Tostes, chefe da milícia de Rio das Pedras. Malvar responde pelo crime com o vereador Josinaldo Francisco da Cruz, o Nadinho de Rio das Pedras (DEM). Natalino negou a acusação: “Renuncio meu mandato se comprovarem algum grampo meu sobre ameaça”. As autoridades citadas pelo deputado não quiseram se pronunciar.

Luciano pode ser expulso da PM

Foragido, o soldado da PM Luciano Guinâncio Guimarães, filho de Jerominho, responde a Processo Administrativo Disciplinar no Conselho de Praças. Há dois meses, Luciano é investigado por envolvimento com o transporte clandestino e pode acabar sendo expulso da Polícia Militar. Em julho, o policial foi para a reserva remunerada por estar há dois anos fora da corporação, cedido à Câmara dos Vereadores.

Jerominho e Natalino podem ser expulsos da Polícia Civil. Como O DIA noticiou ontem, os dois foram indiciados por envolvimento com o transporte clandestino na Corregedoria-Geral Unificada.

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