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Os suntuosos palácios do cerrado


Leandro Mazzini

Intrigado com uma reportagem publicada no Jornal do Brasil com o título Obra milionária do tribunal da discórdia, o deputado Eduardo Valverde (PT-RO) resolveu cavar mais informações sobre a construção da nova sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), orçada em pomposos R$ 330 milhões. O Tribunal de Contas da União (TCU), em relatório publicado há dois meses, indicou irregularidades, como sobrepreço e falhas no processo de licitação. Presidente da Comissão de Fiscalização de Obras Públicas da Câmara, baseado na matéria e no relatório do TCU, o deputado Valverde vai convidar para audiência, na semana que vem, as partes envolvidas. Quer ouvir ministros do TCU, do TSE e os empreiteiros. A responsável pela obra é a megaconstrutora OAS.

Enquanto no canteiro de obras, próximo à Praça dos Três Poderes, continua o trabalho de terraplanagem e fundação da sede, os poderes travam uma batalha sigilosa. Os ministros do TCU e do TSE não se entenderam ainda sobre a obra. Até dezembro, o tribunal de contas pode pedir a suspensão dos repasses dos recursos. Já o TSE informa ter passado aos auditores todos os documentos necessários para sanar as dúvidas. No meio do tiroteio, o deputado também se arma para mandar bala.

- A comissão está assumindo o seu papel fiscalizatório. Vamos chamá-los para apurar essa discordância entre o TCU e o TSE.

Quem passeia pelas redondezas da obra descobre que a obra é um sonho do TSE. Ali perto, outros órgãos já ergueram seus palácios no cerrado. O prédio do Tribunal Superior do Trabalho custou R$ 200 milhões. A sede do Superior Tribunal de Justiça, R$ 170 milhões. O Supremo Tribunal Federal construiu o seu por R$ 150 milhões. Agora, quem cobra também nova sede é o Superior Tribunal Militar.

Deve custar uns R$ 250 milhões, enquanto o Orçamento do Ministério da Defesa anda minguando.

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