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Mesa arquiva processo contra Azeredo e adia 6ª representação contra Renan


GABRIELA GUERREIRO, em Brasília

Por unanimidade, a Mesa Diretora do Senado decidiu arquivar a representação do PSOL contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), na qual o partido pedia a investigação do tucano com o esquema do mensalão. A Mesa também decidiu sobrestar (adiar) a decisão de encaminhar a sexta representação contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL).

A decisão de sobrestar a representação contra Renan foi dividida: três senadores votaram pelo adiamento, dois pelo arquivamento e dois pelo encaminhamento ao Conselho de Ética.

Na sexta representação contra Renan, ele era acusado de apresentar uma emenda que permitiu o repasse de R$ 280 mil para uma empresa fantasma.

Integrantes da Mesa disseram para a Folha Online que a sistemática de liberação de emendas parlamentares não permite saber ao certo a utilização dos recursos pela empresa beneficiada --já que a emenda pode ser repassada por uma prefeitura ou governo para o destinatário final.

O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), deu sinais ontem de que defendia o sobrestamento da decisão de enviar a sexta representação contra Renan até a conclusão das demais investigações.

Segundo Viana, o "sobrestamento" da decisão até que o conselho conclua os demais processos que tramitam contra o peemedebista no órgão não traz prejuízos às investigações.

"Eu penso que não [pegaria mal] se for essa decisão da Mesa [de sobrestar]. O caso pode ser encaminhado na hora oportuna ao conselho. Se evitaria mais um aglomerado de caso de denúncia, notificação ou defesa sem que, com isso, possa trazer qualquer benefício a uma conclusão mais breve do caso do senador Renan", defendeu ontem.

Na prática, a Mesa adiou a decisão de encaminhar o sexto processo contra Renan. A Mesa, nesse caso, fica com o processo em mãos esperando a conclusão dos demais antes de definir sobre seu envio ao conselho.

Licença

Renan pediu ontem dez dias de licença do mandato parlamentar. Isolado e enfraquecido por uma série de denúncias, Renan pediu no último dia 11 uma licença de 45 dias da presidência do Senado. Desde então, ele não apareceu mais no Senado para trabalhar.

Essa nova licença não será somada ao período de 45 dias. Representa apenas uma justificativa para a ausência de Renan por dez dias nas próximas sessões do Senado.

Oficialmente, interlocutores de Renan dizem que ele usará o período da licença para fazer exames médicos de rotina --que ele costuma fazer anualmente.

Nos bastidores, entretanto, aliados de Renan disseram que ele teme retomar agora suas atividades como parlamentar no Senado. A Folha Online apurou que Renan avalia que o clima não é dos melhores e o peemedebista teme ser prejudicado nos desdobramentos dos processos que tramitam contra ele.

Azeredo

Integrantes da Mesa ouvidos pela Folha Online avaliam que as denúncias contra Azeredo se referem a fatos supostamente cometidos antes dele assumir o mandato no Senado e por isso não configurariam quebra de decoro parlamentar.

Os senadores negaram que tenham feito uma espécie de "acordão" para beneficiar Azeredo e o presidente licenciado do Senado ao mesmo tempo. "Eu repudio qualquer tipo de acordo. Trata-se de uma questão ética, temos que verificar se houve quebra de decoro parlamentar ou não. Não há motivo para barganhas, trocas de interesse. Não se está em um balcão de negócios. Moeda de troca, nesse caso, não aceitamos", disse Álvaro Dias (PSDB-PR).

Integrantes da Mesa foram acusados de estar negociando um acordo para arquivar os dois processos simultaneamente --já que a oposição é contra a abertura de processo para investigar Azeredo, enquanto os aliados de Renan não desejam mais um processo contra o peemedebista.

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