Postagem em destaque

Gasto com investimento é 19,4% do previsto em 2007



O governo federal acelerou em agosto as despesas com investimentos. Apesar disso, os gastos com o Programa Piloto de Investimentos (PPI), que engloba projetos considerados prioritários, totalizam apenas 19,47% do previsto para este ano. O maior volume de investimentos pagos reduziu o superávit das contas do Governo Central (Tesouro, INSS e Banco Central), que fechou o mês em R$ 3,55 bilhões, com queda de 43,4% em relação ao valor obtido em agosto de 2006. Somente em agosto, o governo desembolsou R$ 2,52 bilhões para pagar os investimentos enquanto que, no ano, foram pagos R$ 11,2 bilhões, o que representou um crescimento de 35% sobre o mesmo período do ano passado. Até julho, o pagamento acumulado das despesas com investimentos crescia a uma taxa de 23%.

Os gastos com o PPI - cujos valores podem ser abatidos da meta de superávit primário das contas do setor público - totalizaram R$ 2,2 bilhões até agosto. O montante está abaixo da meta de R$ 3 bilhões prevista para o período de janeiro a agosto e menos de 20% dos R$ 11,3 bilhões de investimentos do PPI estabelecidos pelo governo para serem realizados em 2007. Já o total de R$ 11,2 bilhões investidos até o mês passado representam 42,7% do total previsto para o ano na programação orçamentária do governo.

Para o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, o crescimento de 35% dos investimentos mostra que já há uma aceleração, que vai aumentar ainda mais nos próximos meses. Segundo Augustin, o salto dos investimentos é a resposta às críticas de que o governo não estaria conseguindo executar os programas previstos. "Este é um resultado muito positivo. Significa que o Brasil está se adequando a um nível de investimento do setor público maior e, ao mesmo tempo, cumprindo com folga o superávit primário", destacou.

Apesar do aumento dos gastos com investimentos, considerados saudáveis para a economia, as despesas totais do governo, incluindo pessoal e custeio, continuam crescendo a um ritmo maior do que as receitas. Enquanto as despesas do Governo Central cresceram 13,32%, as receitas avançaram 12,39%.

Mesmo com o superávit menor em agosto, o saldo acumulado nos oito primeiros meses do ano nas contas do Governo Central chegou a R$ 51,33 bilhões, R$ 7,6 bilhões acima da meta de R$ 43,7 bilhões prevista para o período até agosto. O esforço fiscal já se aproxima da meta de R$ 53 bilhões para todo o ano. Hoje, o Banco Central divulga o resultado das contas totais do setor público, que inclui também estados, municípios e empresas estatais.

O secretário destacou que essa folga no superávit vai cair nos próximos meses, com o aumento dos gastos do governo com investimentos. Além disso, sazonalmente nos últimos meses do ano o governo as despesas aumentam com o pagamento de férias e 13º salário dos servidores públicos, aposentados e pensionistas. Augustin disse que o governo continua trabalhando com a expectativa de realizar um superávit em torno da meta.

Segundo ele, o crescimento de 35% dos investimentos significa uma forte mudança no perfil da despesa. O secretário rebateu as avaliações de que o governo não consegue avançar nos gastos do PPI. "Eu insisto que é preciso compreender que o Brasil está projetando investimentos de médio e longo prazo. Isso é o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e as ações do PPI. O importante é que elas estejam ocorrendo e que esse investimento esteja se acelerando", justificou.
1